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Carta ao coração

Desculpa. Te coloquei por diversas vezes numa roubada. Te dei a possibilidade de se entregar para vários filhos da puta que não tinham noção do que poderiam fazer com sua fragilidade. Eu abri a sua portinha para alguém que eu queria muito que cuidasse de você, mas sabe-se lá porquê ele não conseguiu te dar a atenção e o amor que você merecia.


Aquele cuidado minucioso com cada artéria que pulsa em você. Aquela tranquilidade do silêncio enquanto só seu som ecoava. Não deu. Mais uma vez alguém socou você como um objeto qualquer. Mas eu sei. Tenho ciência que eu mesma autorizei que isso acontecesse. Na verdade não fui bem eu, talvez tenha sido você mesmo que tenha me ajuda a impulsionar essa atitude. Enfim, acho que erramos juntos.

Sei como você está agora, em frangalhos, triturado e torturado. Tem um cérebro aqui dentro de mim que acha que está certo na decisão, mas pelo visto ele também não consegue resolver porra nenhuma sozinho. Sempre pede sua ajuda para resolver e você molenga do jeito que é, não sabe falar não, e vai passando por cima de si, de mim, de nós.

Lembra que havíamos combinado que nesse ano tudo seria diferente e que não cairíamos nos nossos contos de carência? Poxa. Mais uma vez não conseguimos cumprir com nossa palavra. Somos fracassados né?! Sim. Parece que gostamos de nos maltratar. Engolir seco o que acreditamos e ir até o fim. Até doer. Até sangrar. Até ferir.


Olha, desculpa por não conseguir me controlar, eu ainda não tenho esse tal de auto-controle,talvez eu não tenha passado nessa fila quando eu estava me formando antes de descer para esse plano astral. Quem sabe depois de todos os murros que tomamos juntos, eu não crie vergonha na minha cara e resolva aprender a dizer não e a nos olhar com um pouco mais de cuidado? Você esta trancado agora. Vou te proteger, até o momento que eu me sentir segura para abrir a tranca e liberar sua pulsação novamente. Por enquanto, você se manterá em recuperação, ok? Fique bem. Ficaremos.

 

Ana Albanez via CatWalk






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