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Carta – a grande muralha

Sou eternamente grata por você ter aberto aquela pequenina fresta de sua grande muralha.



Por aquela pequena abertura, olhei com atenção para o seu reino e, pelo pouco que avistei, compreendi que os castelos embora sejam parecidos são construídos com métodos diferentes, materiais diferentes, os construtores não são os mesmos, pois cada qual possui sua própria raiz, seu próprio conhecimento, sua própria filosofia. A única semelhança na construção de nossos castelos são as intenções: proteger, zelar, cuidar, embelezar…

Compreendi que nascemos em reinos que nem sempre possuem a funcionalidade que acreditamos necessárias e, mesmo assim, tentamos passar por cima de nossos sonhos e crenças para ali fazer eterna morada. Mas em algum momento, aquela ordem estabelecida não suprirá nossas necessidades emocionais, intelectuais, materiais e será nesse momento de angústia pela indecisão de ficar ou partir, que a vida nos mostrará que precisamos fazer nosso próprio reino, nossa própria fortaleza, nossa própria morada.

Mas isso não significa que devemos abandonar nosso antigo lar, ele estará eternamente em nossos corações, como nós estaremos eternamente no seu coração que nos sorrirá por termos compreendido que cada reino possui suas grandes muralhas, por mais que não concordemos com elas.


Compreendi ao avistar um pouco do seu reino por aquela pequenina fresta que aqueceu a minha face e iluminou meus olhos, que no fundo somos como salgueiros chorões. Somos grandes, imperiosas, belas e ao mesmo tempo somos tão frágeis, dóceis e estamos à espera de quem possa nos enxergar e então desfrutar de nossas sombras para descansar e conosco fazer morada.

Compreendi ao avistar aquela pequenina brecha, que as ventanias nem sempre servem para derrubar, mas também para nos reorganizar. Pois somos como as rochas que são moldadas pelo vento e pelo tempo e que a cada ventania contrária, vai se tornando mais bela e forte.
Por isso sou eternamente grata por você ter aberto aquela pequenina fresta, por ter me permitido, por mais breve que tenha sido, que eu pudesse olhar por alguns segundos para dentro de seus olhos.

Sonia Mattos


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