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Carta às mães e famílias…

Quero neste artigo expressar a minha profunda admiração às mães brasileiras, que diante de inúmeras adversidades cotidianas, reinventam-se para cumprir a sua missão de Ser…



Desde a infância vemos meninas idealizando a figura materna através do brincar, um ensaio comportamental, com um objeto que reage conforme a sua fantasia e o seu querer, o cuidar das bonecas torna-se uma ação controlada, que emite o prazer proporcionado pelo brinquedo.

É justamente esta lembrança afetiva que remonta na mente de toda mãe ao olhar o seu filho pela primeira vez! Logo, essa relação não mais será permeada pela fantasia, abre diante desta mãe um leque de caminhos, de escolhas, de formas de condução…

E o encanto é trocado pela relação entre dois humanos, ambos com necessidades extremas e urgentes, essa mãe traz consigo suas bagagens emocionais que servirão de base para a construção dos traços de personalidade de seu filho.


Quão complexo é o educar, quão minuciosa é a lapidação de um ser para a vida! Quando menos esperamos, estamos lidando com nossos filhos, com as formas de educação que tanto reprovávamos em nossas mães, quando éramos adolescentes!

Costumo dizer que a jornada parental é semelhante ao brinquedo de parque, repleto de aventuras, em uma hora tudo está tranquilo a nossa volta, em outros momentos somos conduzidos a curvas em uma velocidade muito rápida, e vez ou outra somos alavancados da cadeira…

Mas o que permanece é a sensação de bem-estar (promovida pela ação radical), que se eterniza em nossas memórias afetivas.

Como desempenhar o papel de mãe, tendo como referência intrínseca o cuidar das bonecas? Nesta época o tempo era exclusivo para isso e, sobretudo, não exigia tanto esforço, era permitido estudar com o brinquedo do lado, almoçar em silêncio com o brinquedo no colo, dormir sonos profundos abraçada ao brinquedo. Logo, essa mãe precisa ser mulher novamente!


A vida profissional a aguarda, seus compromissos pessoais lhe chamam, sua relação com o esposo grita por atenção e o desespero é inevitável! Quem eu sou? Preciso ser… Mas o que eu realmente preciso ser?

Nasce o sentimento mais destrutivo na relação de uma mãe com o filho: A CULPA. Recebo no consultório muitas famílias submersas neste sentimento, que tem permeado a relação mãe x filho de grande parte das mães contemporâneas.

A educação funcional logo se transforma em barganha comportamental: vejo muitas mães reféns dos filhos pelas correntes da culpa. Tenho acompanhado o processo do desvencilhar desta armadilha e o início de uma relação assertiva parental, uma ação libertadora para essas famílias.

É necessário uma atenção especial sistêmica. Na prática, dinamiza-se desta forma: O filho vai bem, quando o ser mãe está ajustado; quando o ser mãe está ajustado, a relação conjugal se alimenta destes frutos… Parece simples, mas não é! É a dicotomia do simples x complexo, que necessita de ajustes para se fundirem.


Muitas mães carregam nos ombros a responsabilidade da harmonia familiar, da “monoeducação” dos filhos, dos afazeres da administração do lar, da prática como esposa…

Um complexo que tem sido fator desencadeante de Transtornos ansiosos e Transtorno de pânico. São inúmeros os casos que tenho recebido no consultório com estas demandas!

A relação com o materno precisa antes passar pela reflexão dos atributos humanos e do autoconhecimento. O  conceito de Super-mãe em muitas famílias precisa ser revalidado para características que se aproximem das limitações humanas, sem que com isso haja um desmerecimento da função Mãe.

A mãe contemporânea tem percebido a necessidade de abertura para o aprendizado, para se refazer diante das adversidades, para buscar caminhos para a educação dos filhos, para desempenhar suas diversas funções sem abrir mão da sua essência.


Esses são caminhos que empoderam esta função na sociedade… Uma sociedade que necessita cada vez mais da representatividade das Mães! Que a reflexão desta prática possa transpassar datas e comemorações anuais… que se tornem valores que se eternizem nas gerações futuras.

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Direitos autorais da imagem de capa: gpointstudio / 123RF Imagens


Deus não desampara ninguém. Sempre existirá uma luz no final do túnel.

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