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Casal adota criança africana que diziam ser órfã e descobre fraude no sistema: “Ela já tinha família”

capa Casal adota crianca africana que diziam ser orfa e descobre fraude no sistema Ela ja tinha familia

Um ano depois que adotou a pequena Namata, Jessica descobriu que a menina não era órfã e sua mãe provavelmente havia sido enganada em um grande esquema de venda de crianças.



Famílias que têm dinheiro e “fazem o bem” adotando crianças órfãs, que nunca teriam chances, em países pobres, têm sido cada vez mais comum encontrar, principalmente com as redes sociais. São estrangeiros que voam até países culturalmente estranhos e lá encontram uma rede de adoção, capaz de garantir que crianças e adolescentes sejam adotados rapidamente.

A fotógrafa estadunidense Jessica Davis acreditava que faria o bem e a diferença no mundo no dia em que abrisse as portas de sua casa para uma criança necessitada. Ela e seu marido Adam já haviam conversado sobre o assunto e concordavam com a adoção, mesmo tendo quatro filhos biológicos.

Como eles já tinham outras crianças, decidiram pesquisar de forma exaustiva cada processo da adoção, na esperança de fazer tudo da forma mais correta e ética possível. Segundo reportagem da CNN, o casal não enxergava aquele passo como a simples possibilidade de “aumentar a família”, mas a melhor forma de compartilhar a abundância.


Jessica sabia que existiam crianças precisando ser adotadas em seu próprio país, mas na época acreditou que os países mais pobres eram os que mais necessitavam de ajuda.

Hoje em dia, a fotógrafa compreende que pensava dessa  forma pela propaganda que faziam, falando que existiam, por exemplo, quase 3 milhões de órfãos em Uganda.

Foram os números e as estatísticas (além da propaganda) que fizeram o casal iniciar o processo de adoção lá, em outubro de 2013. Pilhas e pilhas de documentos e dezenas de milhares de dólares, e mais de um ano até que toda a burocracia estivesse cumprida. Em 2015, Jessica e Adam receberam uma linda menina de 6 anos, chamada Namata, em sua casa. Tudo havia finalmente corrido bem!

2 Casal adota crianca africana que diziam ser orfa e descobre fraude no sistema Ela ja tinha familia

Direitos autorais: arquivo pessoal.


Como a pequena criança vinha de outro país, demorou um pouco mais de um ano para que Jessica começasse a perceber que algo não estava certo. Ela aprendeu a falar inglês e as histórias que passou a contar não eram exatamente o que a família tinha ouvido da agência de adoção, tampouco o que estava escrito na papelada de Namata.

Em dezembro de 2015, o Departamento de Estado dos EUA proibiu, por três anos, a agência de continuar seu processo de adoção, porque havia encontrado evidências de falhas graves, intencionais ou negligentes no cumprimento dos padrões exigidos. Isso significava que nem sempre as adoções eram a melhor opção para as crianças ou as famílias em questão.

Jessica começou a se questionar se aquelas histórias que a filha vinha contando não eram apenas uma forma que havia encontrado de lidar com o trauma do abandono e do abuso, fantasias que sua mente produzia. Mas Namata estava dizendo coisas reais, verdadeiras, e pedindo de maneira desesperada que a escutassem. Ela não era órfã!

3 Casal adota crianca africana que diziam ser orfa e descobre fraude no sistema Ela ja tinha familia

Direitos autorais: arquivo pessoal.


Quase tudo o que tinha em sua papelada era diferente do que Namata contava sobre a própria vida em Uganda. A criança tinha uma família amorosa em seu país de origem e sua mãe nunca havia cedido os seus direitos como responsável. O que a agência havia lhe contado é que um casal americano “rico” havia se oferecido para arcar com os custos da educação da criança.

A mãe de Namata acreditava que ela e sua filha haviam sido abençoadas, que a pequena poderia finalmente romper o círculo geracional de pobreza de sua família, mas nunca imaginou que estava abrindo mão dos seus direitos como mãe nem que a pequena seria levada a um orfanato. A papelada da criança foi forjada e, quando a mãe percebeu, já era tarde demais, ela já havia cruzado o oceano.

Conforme foi descobrindo a verdade, Jessica começou a conhecer um pouco da realidade de famílias em Uganda e em várias outras partes do mundo. Mães, pais, irmãos e avós que lutam para reencontrar crianças levadas ilegalmente para adoção internacional. Foi quando percebeu que o que achava tão puro e belo servia como instrumento de enriquecimento e separação de famílias.

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Direitos autorais: arquivo pessoal.


Para a fotógrafa, a adoção internacional deve ser urgentemente reformulada, e os pais e governos não podem mais alegar ignorância a respeito disso. Ela precisava agir eticamente, reunir mãe e filha novamente, já que nada do que havia acontecido era correto. Foi quando iniciou outra jornada, a de devolver Namata ao seu país de origem.

O casal ouviu inúmeras vezes que deveria simplesmente “ficar com a menina”, como se falassem de um item comprado no supermercado, não de uma pessoa. Em outro momento, uma pessoa sugeriu que não deviam contar a ninguém o que Namata havia revelado, e permanecer em silêncio diante da situação. Em outros momentos, diziam que eles tinham a obrigação e o dever de “criá-la na fé adequada”.

Jessica é categórica e explica que sua cor, seu país de origem, riqueza, seu acesso às “coisas”, sua religião, nenhum desses privilégios permitem que “roube” filhos de pessoas pobres, que não têm voz.

Para ela, esses privilégios vêm com a responsabilidade de fazer mais, de ser melhor, de enfrentar essas injustiças. Ninguém pode permitir que famílias sejam destruídas para criar as próprias famílias.


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Depois de expor a corrupção e lutar para que Namata e sua mãe se reencontrassem, Jessica precisou dar adeus à pequena no continente americano, sem poder levá-la ao seu país, com medo de sofrer retaliações. Em setembro de 2016, após uma longa jornada, a pequena finalmente se reuniu com sua família em um vilarejo em Uganda. Hoje o casal estadunidense compreende que a adoção se transformou em algo muito maior.

As boas intenções no início do processo de adoção estavam equivocadas porque, se eles quisessem realmente ajudar uma criança órfã, precisavam primeiro se certificar de que todos os esforços foram feitos para mantê-la com sua família biológica. Ela explica que não é contra a adoção, mas que as pessoas privilegiadas precisam ajudar as famílias menos favorecidas a permanecerem unidas.

Jessica e Adam defendem a adoção consciente, que significa que as famílias precisam compreender claramente o peso que devem carregar, que precisam lutar pelos interesses das crianças, o que, às vezes, significa que elas não serão filhas adotivas.


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Até hoje eles recebem fotos e vídeos de Namata, e a primeira reação é sentir os olhos marejarem, além da vontade do abraço. Mas quando se lembram de tudo que a menina quase perdeu, essa tristeza passa. Em todos os registros que recebe, a família sorri, a criança sorri, mostrando que aquele é exatamente o lugar onde deveria estar.

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