Pessoas inspiradoras

Casal de lésbicas “adota” amiga 20 anos mais velha para que ela não fique em asilo. São uma família!

A senhora de 86 anos revela que morar com o casal sempre foi seu sonho e que tudo não poderia estar melhor em sua vida!



A velhice ainda é algo capaz de causar receio na maioria da população. Seja pelo medo da solidão, seja pela proximidade com a morte ou pela aparência enrugada, muito pouco se conversa sobre envelhecimento, o que faz com que a população mais velha fique à margem da sociedade, completamente vulnerável.

Assim como as crianças, os idosos se sentem constantemente excluídos do mundo. Construído para o frenesi da juventude, a sociedade não dispõe de espaços para a parcela populacional que não é economicamente ativa: idosos, crianças e pessoas com deficiência. A solução que algumas famílias encontram é enviar membros mais idosos para lares de acolhimento, os conhecidos “asilos”, que se encarregam de assistir as pessoas que precisam de acompanhamento.

No Canadá, Marike Finlay e sua companheira Karin Cope decidiram se mudar de Quebec para a costa da Nova Escócia, e convidaram sua amiga, 20 anos mais velha, para acompanhá-las nessa mudança. Segundo reportagem do CBC, Marike pediu que Elisabeth Bigras pensasse sobre o assunto seriamente; todas estavam cientes da diferença de idade existente.


As mulheres sabiam que convidar Elisabeth para essa mudança radical implicava em se comprometer a permanecer ao lado da amiga por toda a sua velhice, era um convite para que ela se aposentasse na companhia de ambas.

O casal trabalhou na Universidade McGill, onde Marike conheceu Elisabeth, elas começaram a estreitar cada vez mais os laços, fazendo incríveis viagens de barco ao longo da costa leste do Canadá.

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

Elisabeth aceitou o convite e nunca se arrependeu da convivência, mesmo já tendo se passado duas décadas desde que decidiu se aposentar ao lado das amigas. Ela revela que tudo foi maravilhoso, exatamente o que sempre desejou. Aos 86 anos, a senhora fez carreira como psiquiatra e nunca teve filhos, e conforme foi envelhecendo, Marike apostou na ideia de “adotar” a amiga.


Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

Essa iniciativa tornou a amizade das três ainda mais forte, e Marike revela que se ela não tivesse ali, provavelmente estaria em um asilo, sendo assistida, já que não tem família. Elisabeth percebeu, ao longo dos anos, que a velhice tem a ver com perdas. Primeiro, os amigos se foram, depois a audição –  ela perdeu o prazer de ouvir música, e isso foi terrível. Desistiu de dirigir e cozinha cada vez menos.

Um dos hobbies com que preenche seu tempo é a fotografia. Ela explica que é importante descobrir paixões e coisas que nos fascinam, isso ajuda no processo de envelhecimento.

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.


O casal revela que os próprios parentes não compreendem a vida que construíram com Elisabeth, mas que a comunidade e os vizinhos entenderam logo que elas são uma família.

Os pais de Karin moram fora do país, por isso, quando precisa de conselhos sábios de quem já passou por coisas parecidas, é sempre Elisabeth a pessoa a quem recorre.

Karin conta que Elisabeth é a anciã que ela ama, é quem está em primeiro lugar em seu coração, por isso se comprometeu a cuidar dela até o fim dos seus dias. As mulheres acreditam que a história delas é uma alternativa aos cuidados com idosos, e que essa é uma maneira de enxergar além dos asilos. E, assim como é preciso uma aldeia para criar um filho, também é necessária uma aldeia para cuidar de um ancião.

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.


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