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Casamento é como dançar junto: precisa de muito treino para ficar bonito

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A vida é uma grande pista de dança e a dança em si representa as inúmeras possibilidades de desfrutar a vida, em diferentes ritmos e movimentos. Dançar junto é um dos caminhos para o crescimento interior e ele demanda muito treino e força de vontade.



Lembro-me da valsa que dancei na minha formatura. O meu sapato cor champanhe parecia um cachorro dálmata no final da música, cheio de bolas pretas.  Foram muitas pisadas no pé, o que deixa claro que eu e meu colega de turma não encontramos o ritmo. Cumprimos o ritual, mas não conseguimos nem chegar perto da magia que existe em bailar junto.

Para dançar junto é preciso sincronicidade, é ela que permite duas pessoas entrarem em uma sintonia tão incrível que viram uma só. Movimentos harmoniosos e perfeitos, coladinhos, conectados apenas pelas mãos ou separados por alguns instantes. É um espetáculo!

Vejo o casamento como a possibilidade de uma linda dança de amor. Nós nos encantamos e escolhemos alguém para dançar conosco a dança da vida.


E aí começa a jornada cheia de desafios. Muita gente desiste logo nos primeiros passos. Alguns persistem, mas não encontram o ritmo e acabam cansando. Outros trocam de parceiro até dar certo. Há ainda os que preferem dançar sozinhos e, assim, sentem-se completos.

Nem sempre é fácil, mas alguns tentam incansavelmente, com o mesmo parceiro, até a coreografia estar perfeita, até os dois se tornarem um na pista, até as dificuldades virarem um grande prazer e uma brincadeira gostosa. No final das contas, os dois desaparecem e o que fica é a dança e toda a sua beleza.

Para vivenciar essa magia, primeiro é preciso encontrar um bom parceiro, alguém que realmente queira dançar a dança da vida conosco. Ninguém quer dançar com alguém que “frita o peixe e olha o gato”, que dança aqui e ao mesmo tempo está de olho ali em outra pessoa. Ninguém quer dançar com alguém reclamando da vida ao pé do ouvido o tempo todo.

Queremos é dançar com alguém que esteja a fim de aprender, crescer junto e celebrar. Alguém que pisa no pé, pede desculpa e tenta não repetir o erro. Alguém que abraça com carinho, que dá um beijo depois do rodopio e faz uma pausa para o olho no olho.


Queremos dançar com alguém que nos respeite, nos admire e sinta-se honrado com a nossa companhia.

Queremos alguém para multiplicar a nossa alegria. Alguém que sorria nos difíceis ensaios, alguém que saia da pista de mãos dadas como eternos namorados, alguém que deseja muito nos ter ao lado. Dança de dois precisa de dois. É preciso vontade de ambas as partes. É preciso render-se a algo muito maior que a individualidade de cada um.

São muitos os ritmos que a vida nos dá. Se quiser dançar junto, escolha o seu e vamos lá. Vejo muitos casais envelhecerem juntos de forma tão bonita. Depois de tantos anos, a coreografia deles é tão harmoniosa, que ninguém pode imaginar que um dia eles não souberam dançar juntos, que o sapato dela vivia marcado da graxa do sapato dele ou que ele morria de vergonha de não conseguir soltar o corpo e acompanhá-la pelo salão.

Eu primeiro aprendi a dançar sozinha. Venci a timidez e o desconforto de me sentir observada e inadequada. De repente, o que parecia ser assombroso virou uma delícia. Movimentar livremente encantou-me e quando passei a desfrutar imensamente da minha presença, como se a pista fosse só minha, encontrei alguém para dançar junto.


Confesso que tive muito medo. Levei tanto tempo para gostar da minha companhia, que dar esse passo e permitir-me ir em direção ao outro não foi fácil. Tive medo de gostar de dançar junto e de repente me ver sozinha novamente. Tive medo dele pisar no meu pé e me machucar. Mas, a presença dele foi mais forte do que todos os meus fantasmas e eu disse sim quando ele me tirou para dançar.

Sim, os pisões me machucaram e, sim, levou um tempo até encontrarmos o ritmo. Pensei muitas vezes que era mais fácil seguir dançando sozinha. O pé dele, vez ou outra, era pesado demais, mas o coração sempre foi tão leve e doce e os olhos tão imensos e radiantes, que nunca consegui deixá-lo sozinho na pista. O amor e a vontade de estar junto foram sempre maiores que tudo.

Sinto-me feliz por ter encontrado um parceiro muito querido que ama dançar a dança da vida comigo. Agradeço por eu ter ficado e confiado. Hoje, quando rodopiamos sorrindo ao sabor do vento, penso que tudo valeu a pena.

Persistente e feliz, ele está sempre pronto para a música seguinte e meu coração sorri ao ver que ele continua com a mesma inocência, amorosidade e curiosidade de quando me tirou para dançar pela primeira vez.


Agora, uma nova fase se inicia. Estamos embalados por uma doce canção de ninar. Em poucos dias, daremos as boas-vindas à flor da nossa dança de amor: vai nascer a Sofie, nossa filha.

Que essa nova vida traga ainda mais alegria para o nosso baile, meu amado Wilhelm.



Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: magiceyes / 123RF Imagens

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