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Chega uma hora em que a gente cansa, dá aDeus, fecha a porta, encerra certos ciclos…

Chega uma hora em que a gente cansa de certas coisas. Não porque nos fizeram tanto mal assim, ou porque não cabia mais.É porque o coração já está cheio e transbordante.

É porque a gente tentou tanta coisa e parece que dentro de nós nada se encaixou.



Chega uma hora em que é preciso  fazer aquela faxina mental, espiritual e parar de se preocupar com miudezas insignificantes, com aquele monte de coisa entulhada na estante, com aquele monte de lixo emocional que trava tudo dentro de nós mesmos.

A gente sabe que é preciso limpar-se de muita coisa e dar espaço para outras que merecem destaque em nossa vida.

Coisas talvez mais íntimas e oficialmente melhores do que qualquer sobra de sentimento, qualquer coisa requentada que já perdeu o gosto e o sabor de quero mais.


Tudo é oportuno, tudo pode acontecer. Por isso a gente não deve se preocupar com aquilo que não nos permitiram e bem sabemos o quanto tentamos, o quanto solicitamos o quanto disfarçamos para não mostrar a decepção ou tristeza de não sermos atendidos.

Aí a gente segue e leva aquilo como lição e aprendizado.

Tudo é válido. Tudo é necessário, tudo pode caminhar de modo mais significativo, amplo e bonito.


Chega uma hora que aquele perdão ainda não foi dado, mas é necessário. Que é preciso colocar certas pendências em ordem para não se sentir em débito com a vida.

Eu só sei que tenho andado muito, observado muito, e deixado às mãos de Deus trabalhar para me levarem onde eu possa , enfim, sentir que nada foi perdido, nada foi desperdiçado em noites de amém, gratidão e, por vezes, silêncio.

Chega uma hora em que a gente acorda e percebe que por mais que sejam simples certas coisas, muita gente faz questão de nos anular, de nos rejeitar, tratar como se nada fôssemos.

Creio que somos muito melhores quando não damos munição para nos encherem de recalques, defeitos e força de expressão.

Somos mais, somos muitos que se beneficiam com a própria coragem e a própria sabedoria da consciência que se eleva em paz e força do bem.

Não podemos perder o foco, nem a nossa estrela guia que nos ilumina todos os dias, por mais que haja sombras, vaidades aprofundadas, egoísmo exacerbado, vindo de lugares que a gente na verdade não quer nem mais pisar.

Chega uma hora em que a gente dá adeus, fecha a porta, encerra certos ciclos…

…e para de sentir tanta pena de quem nunca se alarmou, nunca se movimentou ou mexeu um dedo sequer para mostrar que poderíamos confiar e centrar um pouco nosso coração, por vezes cansado e que só deseja dias melhores para coabitar dentro daquilo que a gente merece e almeja alcançar.

Sil Guidorizzi

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Direitos autorais da imagem de capa: kslight / 123RF Imagens

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