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Chore sangue por desconto em produtos, mas jamais uma lágrima em serviços!

O brasileiro tem a fama de ser o pechincheiro, o bagaceiro, o chorão, o barganheiro, o pidão, e mais meia dúzia de adjetivos que há por aí por pedir desconto por tudo e pra todos. Chega ser o chato de tão insistente que se torna.



Nesta minha última viagem para fora do país, fui pra Orlando. E tive uma grande lição, encontrei um vendedor/comerciante bem espelho meu, só que desta vez, eu estava do lado contrário, eu era a cliente e ele o negociador. Digo isso porque sou professora autônoma há 20 anos e tenho que administrar meu trabalho sozinha, ou seja, dar aula e “negociá-las”. A aparente diferença que tínhamos até ali era que ele vende produtos e eu vendo serviços. Mas havia semelhanças entre nós desde em como abordamos o cliente até a personalidade, tão fisicamente energética e entusiasta que ambos temos.

Estávamos procurando malas para comprar. Meu marido entrou nessa loja, enquanto eu me encontrava em outra. Ele foi me buscar na loja em que eu estava, pra me mostrar esse conjunto de duas malas que ele havia encontrado. Ele é mais conhecedor de qualidade de malas do que eu sou, portanto, após ter analisado esse conjunto, ele me disse que as malas estavam num preço justo comparado com tudo que nós já havíamos visto. O suposto vendedor, digo isso, pois só meu marido havia acreditado que era o vendedor, mas na verdade era o dono da loja.


Antes, havíamos ido até uma outra loja que o atendente era Brasileiro, o qual meu marido costuma ficar com um pé atrás, achando que porque é Brasileiro “o Ser” pode estar querendo tirar vantagem. Aliás essa é uma de nossas desavenças, pois para mim, entra na caixa de preconceitos, enfim. Assim que eu entrei na loja, vi e ouvi meu marido e o dono da loja falando Espanhol. Não resisti, mais que depressa, indaguei dizendo: “Ah! Agora sim seu Carlos (meu marido) encontrou a mala certa né?”

“Hablando en Espanhol, está todo certo?” – eles logicamente riram, o dono da loja era Hondurenho. Bem, meu marido certamente me chamou pra pedir desconto (claro, sou brasileira, né?). Eu, como uma boa Brasileira, claramente pedi por aquele desconto, né? Mas já adianto EM PRODUTOS SIM, não costumo pechinchar em serviços, mas vamos lá que depois explico o porque não…

Pedi para que o Hondurenho nos desse um desconto naquele conjunto de duas malas, pois na “loja do Brasileiro” estava mais barato. Ele foi duro na queda, e não parava de falar. Começou a falar da qualidade da mala, comparou ela com outras da loja, e blá blá blá…


Entretanto me mantive firme a fim que ele me desse um desconto por estar levando o conjunto. Ah! Mas aí ele começou: “vocês Brasileiros choram demais, eu já conheço o mercado Brasileiro aqui em Orlando há mais de 15 anos, e é sempre a mesma ladainha… Sabe o que vocês não entendem?” – O Hondurenho direcionou essa pergunta a mim. Eu só acenei com a cabeça como “prossiga”.

“A maioria por aqui sobe os preços dos produtos, porque já sabem que vocês vão chorar, aí eles dão o desconto e vendem no preço que queriam vender inicialmente. Aí eu te pergunto? Quem foi o espertinho aqui???” – Ele voltou a me perguntar. Eu me mantive com minha boca selada. Conversamos e discutimos muito ao mesmo tempo, houve momentos que tanto eu me calei quanto ele se calou. Eu lhe disse que não só os Brasileiros pedem descontos em produtos, todo consumidor pede.

Os produtos frente a uma negociação foi feita para se pedir facilitações em qualquer parte do mundo. Talvez ele poderia me dizer da forma que o Brasileiro lida, aí poderíamos conversar. Por exemplo, pedir desconto em serviços, coisa que Brasileiro também faz e muito, falar sobre a abordagem que ele usa…. – “Palestrei” o Hondurenho com alguns conceitos. Aí foi a hora dele se calar e se retirou de onde estava.

No final, levamos o conjunto de malas sem desconto, porém com isenção dos impostos. Poderia dizer que tivemos “um descontinho”. Quais foram as semelhanças que encontrei entre nós dois? Foram várias. Tanto eu quanto ele somos muito confiantes – ele falando de seu produto e eu de meus serviços; tanto eu quanto ele nos calamos naquele momento que vimos que o outro tinha razão, portanto, diante de um bom argumento um excelente ouvinte se cala; onde há Ego não há negócio, tanto eu quanto ele fizemos nossa parte na tratativa, por isso deu negócio.

“Quem saiu ganhando e quem saiu perdendo?” Essa foi a pergunta do meu filho posteriormente. Minha resposta: “Nós dois saímos ganhando ou nenhum saiu perdendo, se preferir.” Ele como um bom opositor a minha pessoa, não aceitou minha resposta, e replicou: “Não concordo, eu acho que você saiu perdendo.”

“Por quê?” – Questionei. “Porque você não obteve o desconto que pleiteava” – ele me respondeu.

Sorri para meu filho e lhe respondi de volta: “É filho, você precisará viver mais alguns aninhos para entender que a vida NÃO se resume somente em ganhar ou perder, partindo de onde você pressupôs, ainda há outras alternativas entre essas duas, que também podem gerar resultados super positivos, aliás, que acrescentem algo que vão além do ganhar ou perder. Coisas do tipo: aprendizado. Isso é algo que só nos enobrece, e nos faz crescer cada vez mais como indivíduo. E nesse caso vou te detalhar os fatos de o porque ambos – a mamãe e o Hondurenho saíram ganhando: Eu comprei as duas malas que ele me provou comparando e demonstrando que valia o preço que eu estava pagando, ou seja, o justo. E ele, pra não perder a venda, diante de um pequeno estresse que rolou na loja por meus argumentos serem cortantes e ele ser extremamente sagaz e perceber que eu estava por um triz pra sair da loja sem comprar as malas por conta dele ser irredutível, ele nos isentou dos impostos, indiretamente dizendo que seria esse o ‘descontinho’, assim desarmando-se ao final.
Conclusão, ele foi sagaz e eu fui sábia, pois eu poderia ter saído da loja naquela mesma hora quando ele foi categórico em dizer que não daria desconto nenhum, que Brasileiro chora demais, bla, bla, bla…. Hoje, eu não teria comprado essas duas malas que foram realmente uma boa compra. E ele não teria feito a venda que é o seu ganha pão.”

Vamos falar de serviços? Esse é um problemão aqui no Brasil. O produto não irá mudar se você pagar 10, 20 ou 30. Agora barganha em serviços, pra você ver o que é dor de cabeça que pode até virar uma enxaqueca eterna! Acho que todo serviço tem seu preço ou valor.

Entretanto você como consumidor tem todo o direito de procurar aquilo que esteja dentro de sua realidade e expectativa. Aprendi em dando aulas de Business que nunca devemos barganhar valores se prezamos qualidade em serviços. Agora, temos vários perfis de consumidor, torno a falar: temos o consumidor que preza rapidez; o outro que preza produtividade; ainda um outro que preza preço…. Então vale lembrar que, se você é o consumidor “JAPA”, dou esse nome ao consumidor que preza A QUALIDADE, O NÃO BARGANHAR E O NÃO PECHINCHAR, PORQUE SE VOCÊ FIZER ISSO COM UM PROFISSIONAL EXCELENTE, VOCÊ CORRE O SÉRIO RISCO DE LEVAR UMA BEM NO MEIO, ISTO É, MEU PREÇO É ESSE “TAKE OR LEAVE IT”. E VOCÊ SABE PORQUE? PORQUE ELE SABE EXATAMENTE O SEU VALOR, PONTO!!!!!!

Normalmente um profissional que preza qualidade, até deixa de te cobrar ninharias. Ele não te dará desconto, mas em contrapartida ele te dará total assistência, seja como ou quando for que você precisar dele. Esse é o valor da qualidade. Quando pagamos qualidade, pagamos também cuidado, atenção, O tira-dúvidas, aconselhamento (em alguns casos), os extras estão inclusos….

Agora, se preferir vá em frente e peça desconto em serviços, e o que lhe presta serviços te dá aquele “puta” desconto. E corra-se o risco de….. Depois a gente dá um jeitinho!!!! Aí quando você mais precisar, cadê o camarada? Sumiu!!! Ou ainda como exemplo o pedreiro que nunca mais apareceu na obra; e aquele médico que nunca te atende quando você mais precisa?!?!; Espera que há piores – o filha da P. daquele advogado que só te enrola….
MAS VALE LEMBRAR TAMBÉM QUE TODA REGRA HÁ SUAS EXCEÇÕES OK??? NÃO QUER DIZER QUE TODO PROFISSIONAL LIBERAL QUE SE PREZA NÃO DARÁ DESCONTO. PODE HAVER VÁRIOS QUE SIM. SÓ QUE A PROBABILIDADE DE CONSEGUIR UM SERVIÇO BOM COM UM VALOR BAIXO, CAI MUITO, DIRIA QUE SE TORNA QUASE UMA LOTERIA.

Pra finalizar, gostaria de fechar dizendo que seria muito bom se o bom senso prevalecesse. Se as pessoas pudessem enxergar o Profissional Liberal de forma mais séria, respeitosa e procurar valorizar o trabalho de quem quer que seja, desde uma empregada doméstica até um médico, porque todos sem exceção tem seu valor.

Um dia o artista já foi discriminado, e hoje em algumas áreas já é bem pago, o ator/atriz também. Há o inverso também, que dizemos de “inversões de valores”, infelizmente, por exemplo – o Professor, que era uma profissão tão reconhecida e bem paga, porém hoje…. Nem preciso continuar, né?

POR FAVOR, MAIS RESPEITO E RECONHECIMENTO PELO TRABALHO DE UM OUTRO. MESMO QUE ESSE, AO SEU OLHAR, NÃO SEJA TÃO CARTESIANO NEM TAMPOUCO POPULAR!

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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