Bem-Estar e Saúde

Cientistas descobrem novo tratamento para câncer de mama agressivo

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Uma equipe de médicos e cientistas de Singapura identificou uma nova forma de tratar pacientes com câncer de mama triplo-negativo (TNBC), convertendo células agressivas em menos agressivas.



O câncer de mama é a principal causa de morte de câncer na população feminina, representando, em 2020, de acordo com dados do Global Cancer Observatory, divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a segunda maior causa de morte em ambos os sexos.

Mais de 20 mil pessoas morreram vítimas da doença no ano passado e mais de 88 mil novos casos foram descobertos no mesmo período.

Os números do Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostram que a cada 100 mil mulheres, cerca de 15 morrem vítimas das complicações do câncer de mama. Mas os médicos acreditam que aproximadamente 30% dos casos podem ser evitados caso as pessoas adotem medidas preventivas, como a prática de atividades físicas, redução da ingestão de bebidas alcoólicas e se as mulheres amamentarem de maneira prolongada os filhos.


Em Singapura, uma equipe de médicos e cientistas do National Cancer Center Singapore (NCCS), do Singapore General Hospital (SGH) e do A*Star’s Genome Institute of Singapore (GIS) descobriu um novo método para tratar pacientes com câncer de mama triplo-negativo (TNBC), um dos mais agressivos.

Os especialistas descobriram que as células cancerosas são capazes de mudar de menos agressivas (epiteliais) para mais agressivas (mesenquimais), e vice-versa. Assim que as células se alternam, os tumores podem responder melhor à quimioterapia. A descoberta levou os médicos a fazer um ensaio clínico humano durante três anos, chamado Bexmet (transição mesenquimal-epitelial induzida por bexaroteno), investigando a extensão da abordagem não convencional.

Segundo informações do SingHealth, o TNBC é mais agressivo do que outros subtipos de câncer de mama, e tem limitação de tratamento, além de um prognóstico ruim. Como o teste TNBC é negativo para receptor de estrogênio, progesterona e para receptor-2 do fator de crescimento epitelial humano (por isso chamado triplo-negativo), os tratamentos direcionados para esses receptores não são eficazes, fazendo com que a quimioterapia seja o tratamento padrão.

Desenvolver novos medicamentos oncológicos é um desafio, já que os preços são altos e a acessibilidade baixa. Por isso, o conceito testado pela equipe pode ser uma boa saída, já que busca alterar o estado das células cancerosas para que se tornem mais suscetíveis à quimioterapia atualmente no mercado. Além de ser uma forma mais econômica, também tem potencial para tratar uma ampla gama de outros tipos de câncer.


A equipe de cientistas e médicos estudou o tecido do câncer de mama dos pacientes em 2017 para compreender o que controlava o comportamento das células cancerosas, como invadiam e se espalhavam pelo organismo. A pesquisa acabou levando à descoberta de que o bexaroteno (que pertence a uma classe de drogas conhecidas como retinoides) é capaz de transformar uma célula mesenquimal em uma epitelial, consequentemente menos agressiva.

O coautor sênior, Dr. Tam Wai Leong, diretor associado e líder de Grupo do Laboratório de Biologia Translacional do Câncer em GIS, afirmou que as células cancerosas são astutas e têm maneiras de escapar do tratamento, assumindo esse estado de célula mesenquimal, resistente aos medicamentos utilizados.

Por isso, ao invés de combater os tumores de maneira convencional, com a quimioterapia, a solução pode ser induzi-los a uma forma menos agressiva antes de administrar a medicação.

O vice-diretor médico de pesquisa do NCCS, professor Teh Bin Tean, disse que o ensaio clínico Bexmet é um exemplo do “forte fluxo” de pesquisa que o National Cancer Center Singapore construiu, com a colaboração de parceiros como o A*Star’s Genome Institute of Singapore, já  que estão perfeitamente posicionados para aplicar a pesquisa científica básica, podendo, no futuro, colaborar com os avanços na luta contra o câncer.


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