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Cinco ou seis coisas que a solidão contou para ela…

Cinco ou seis coisas que a solidão contou para ela ou como a solidão se tornou solitude…

Ela sentou-se ao sol, estava frio e nesta época do ano ela gostava de aquecer-se assim, gateando no quintal na companhia silenciosa dos gatos… Suspirou, e era de alívio.



A maldição da solidão não mais a assustava. Mas nem sempre fora assim.

O Vento soprou um pouco mais forte. A casa estava vazia… Só ela e os gatos.

Houve um tempo em que a casa assim vazia a assustava, e ela movida pelo medo da solidão (maldição), desesperava-se.


Na ânsia de desdizer o dito, ela se lançava numa busca frenética de companhia e fazeres, quase sempre eles ocupavam o tempo, disfarçavam o medo, mas era só uma distração no fundo o fantasma a seguia.

E nos momentos sozinha, a solidão lhe dizia:

– Não adianta fugir. Eu e você temos hora marcada…


Depois quando já não adiantava distrair-se em afazeres e encontros vazios ela entregou-se ao encontro inadiável…

Ela e a Solidão. As duas, sozinhas. As noites se tornaram longas, e os primeiros encontros sombrios.

A solidão sussurrava toda noite em seus ouvidos:

           – Você está sozinha… vai durar para sempre… serei sua companhia.

Um sem fim de tristeza e medo a invadiam…

Mas a solidão era amiga persistente, não se afastava e pouco a pouco, as duas se conheciam…

Agora, sentada ali ao sol, ela recordava e parecia que revia, a noite exata em que a solidão levantou-se com ela no meio da noite…

Juntas foram tomar água, os passos solitários ecoando pela casa vazia, era noite de Lua Cheia, e o clarão da Lua a casa toda preenchia.

A solidão a puxou pelos braços e  a fez olhar pela porta de vidro e enxergar tudo que até então ela não via.

A solidão disse suave, baixinho:

– Olhe… olhe tudo isso… essa é sua casa, quanto espaço, quanto verde, quanto aconchego…veja, olha as meninas, como são fortes, lindas e livres suas filhas…

Ela chora… não mais de medo ou tristeza… chora um choro de alegria.

A solidão, fala em seu ouvido:

– Isso tudo é você… olhe o seu tamanho…

Coisa que correndo de um lado para outro você não via…

Ela abre a porta, a noite entra e o medo sai  despedindo-se.

A solidão muda de nome… Solitude é o nome dela…

Seja bem-vinda minha amiga! – diz ela enquanto ajeita suavemente um sorriso. Sentam-se juntas, lado a lado…

Diante delas o Vazio… e juntas, ela e a Solitude conversam, desde aquela noite até estes dias.

Juntas fazem planos…

E desde então as duas podem ser vistas, caminhando pela mata, acendendo fogueiras, escrevendo poesias…

Solitude sempre diz para ela:

– Você tem todo tempo do mundo, e ele, o Tempo é infindável… do Vazio criaremos um Mundo…

E eu… Eu serei sempre a sua melhor companhia…

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Direitos autorais: gorosi / 123RF Imagens

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