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Cirurgião britânico perde registro médico por gravar suas iniciais em fígados de pacientes

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O caso aconteceu entre fevereiro e agosto de 2013, e o médico só foi descoberto porque outro cirurgião viu suas iniciais gravadas em um fígado.

O transplante de fígado é considerado o segundo tipo mais comum de transplante de órgãos no mundo inteiro, pois se constitui na única opção viável para pacientes cujo órgão perdeu a função hepática.

O órgão inteiro só pode ser retirado de pessoas mortas, mas se for apenas parte dele, pessoas vivas e com o órgão saudável podem doar parte dele.

Mesmo sendo um dos transplantes que menos apresentam rejeição, muitos pacientes morrem nas filas aguardando um doador compatível. A maioria dos órgãos transplantados atualmente vem de doadores que tiveram morte cerebral, mas seu coração continuava a bater com a ajuda de aparelhos.

Para as cirurgias, médicos especializados no tratamento de órgãos, como baço, pâncreas e o próprio fígado, são os mais recomendados. Na Inglaterra, um caso no mínimo chocante chamou a atenção da comunidade científica, que nunca tinha assistido a nada parecido. O cirurgião Simon Bramhall, de 58 anos, gravou suas iniciais no fígado de dois pacientes que seriam transplantados.

O caso aconteceu em 2013 e, de acordo com a BBC, o promotor Tony Badenoch QC afirmou que se tratava de algo que nem sequer tinha precedente na história médica ou legal. Para gravar as iniciais de seu nome, o médico usou uma máquina de feixe de argônio do Hospital Queen Elizabeth, em Birmingham. O próprio Serviço do Tribunal de Profissionais Médicos (MPTS, por sua sigla em inglês) declarou que essa atitude tinha nascido do “alto grau de arrogância profissional” de Simon.

Como não sabiam em qual crime enquadrar o profissional, Simon Bramhall foi acusado de duas “agressões por espancamento”, declarando-se culpado em dezembro de 2017, pelo que foi multado no ano seguinte em cerca de R$ 75.500. Ele chegou a ser suspenso da profissão em dezembro de 2020, mas apenas seis meses depois a ordem acabou sendo revogada.

As perícias constataram que “nenhum dano físico duradouro” foi provocado em nenhum dos pacientes, mesmo assim causaram um “dano emocional” gigantesco a um deles, por isso o Conselho-Geral de Medicina (GMC) e o MPTS decidiram manter a suspensão do registro médico, considerando que suas ações “rompiam” completamente a confiança entre paciente e médico.

Descoberta dos crimes

O cirurgião só foi descoberto quando um de seus transplantes, cujo paciente a mídia e os profissionais de saúde tratam como “Paciente A”, para preservar sua identidade, falhou cerca de uma semana depois. Os especialistas afirmam que já era um órgão com danos, então a complicação não tinha relação com o implante no corpo do receptor.

Outro cirurgião assumiu o caso quando o “Paciente A” precisou de atendimento por conta da falha, e foi nesse momento que encontrou as iniciais “SB” inscritas no órgão. Sem acreditar no que estava vendo, ele tirou uma fotografia da marca de cerca de 4 cm pelo próprio telefone celular para fazer a denúncia. Mais tarde, Bramhall admitiu ter marcado o fígado da vítima.

Durante o julgamento, o cirurgião declarou que as ações eram uma forma “ingênua e imprudente” de aliviar sua tensão na sala de cirurgia durante os transplantes, em fevereiro e agosto de 2013. Uma cirurgia desse porte dura cerca de 4h a 4h30, de acordo com grandes órgãos de saúde.

O promotor ainda declarou que o ato do cirurgião foi extremamente “incomum e complexo”, tanto sob a óptica médica quanto legal, e Bramhall cometeu o mesmo crime em duas ocasiões, o que mostra que não agiu assim de maneira isolada, com uma prática que exige certas habilidades, treinos e concentração. Sem contar que uma cirurgia conta com uma equipe médica, portanto agiu na presença de colegas.

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