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Cliente pede “entregador branco” em aplicativo: “Não gosto de pretos”

Cliente pede em app entregador branco

Ao receber o pedido por meio de um aplicativo de entrega de comida, a empresária responsável pelo restaurante ficou em choque com o pedido preconceituoso do cliente.

Não é preciso ir longe na internet para encontrar pessoas que acreditam que os movimentos sociais e suas pautas avançaram em um nível que hoje já não vivemos mais em uma sociedade preconceituosa. Várias conquistas foram feitas desde o começo das lutas do feminismo, do movimento negros, das pessoas com deficiência, entre outras minorias, isso não podemos negar, mas ainda existe um grande caminho pela frente para que pessoas em minorias sociais deixem de ser tratadas como cidadãos de segunda classe.

A verdade é que quem acredita que se foi o tempo do preconceito, certamente vive em uma bolha isolada, pois diariamente convivemos com casos de machismo, etarismo, xenofobia, racismo e mais. O Brasil segue sendo um dos países que mais mata LGBTs, mulheres e pessoas pretas e embora nossa luta seja incansável, ainda não alcançamos esta utopia que alguns indivíduos pensam. Talvez nem consigamos alcançar.

Todos os dias temos lembretes da dor que o preconceito causa em quem o recebe e como nossos valores estão trocados; quem deveria receber o constrangimento e julgamento deveria ser a pessoa que ofende, jamais o ofendido.

Muito foi conquistado na luta do movimento negro, mas ainda é preciso perseverar e punir os preconceituosos, para que pessoas como a deste caso saibam que não serão mais permitidas a falar absurdos como este: um cliente de uma confeitaria colocou como uma de suas exigências do pedido que fosse levado por um entregador branco, pois, como citou no pedido, não gostava de “pretos e nem de pardos”.

De acordo com informações do G1, o caso ocorreu em Goiânia. O pedido de cinco bolos no pote foi feito para a confeitaria através de um aplicativo de delivery, o iFood. Na solicitação, além da quantidade de produtos e o preço total, é possível ver uma exigência do cliente: “Por favor, mandem um entregador branco, não gosto de pretos nem pardos. Venham rápido”.

O absurdo do pedido deixou a empresária responsável pelo estabelecimento chocada e indignada. 

A dona da confeitaria, que preferiu não se identificar, recebeu o pedido com um enorme descontentamento em uma quinta-feira, dia 3 de março de 2022. Ela contou que sentiu revolta ao ler a exigência absurda do cliente. A empresária categorizou a situação como constrangedora e desumano, ficando tão desconcertada com a atitude da pessoa fazendo o pedido que até se desculpou com o motorista que foi levar o pedido.

Não foi dito pela dona da confeitaria qual era a etnia de quem levou o pedido até o seu destino, mas quando o moto-entregador voltou, contou que foi recebido no local por duas mulheres, que quando questionadas sobre a mensagem deixada, disseram apenas que não haviam sido elas que a escreveram. Uma disse que havia sido seu marido, mas logo mudou seu argumento. Nenhuma das duas deu esclarecimentos objetivos sobre este caso de ofensa racial.

A empresária não denunciou o caso diretamente à Polícia Civil, por medo de constranger o entregador mais ainda.

O delegado Joaquim Adorno, que chefia o Grupo Especializado no Atendimento às Vítimas de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, disse que não recebeu nenhuma denúncia do caso diretamente, mas que a situação será investigada prontamente, por ser um crime de ação pública incondicionada, que a polícia tem a obrigação de apurar. O delegado explicou que a ação pode ser enquadrada como incitação, induzimento ou ao preconceito ou discriminação racial, cor ou etnia, com pena de até 3 anos.

O racismo é uma prática criminosa e é dever de todas na sociedade, independente de cor de pele, lutar para que chegue ao fim o quanto antes. Este preconceito, além de promover o constrangimento e abalos na auto estima, também tira vidas, vítimas da falta de respeito do outro com uma vivência diferente da sua.