COISAS QUE PRECISAMOS OUVIR DOS OUTROS

Passamos a vida em busca de autoconhecimento e mesmo evoluindo muito no meio do caminho, temos fases em que nos sentimos completamente perdidos, confusos, como se alguém tivesse ancorado nosso barquinho na imensidão do mar e não enxergássemos nem um pedacinho de terra sequer para lado nenhum, sem ter a menor ideia de que direção tomar.

Nessas horas, minha experiência diria para tentar ouvir a mim mesma, minha intuição. Mas tem dias que isso não basta. Tem dias que precisamos ouvir dos outros o que não estamos conseguindo nos dizer sozinhos. Assim, com meus trinta e uns, lá fui eu me aventurar em algo que nunca tinha feito na vida: me consultar com uma taróloga.

Na noite anterior à consulta, me concentrei e pensei nas perguntas que queria fazer e nos campos que estavam “nebulosos” na minha vida. Obviamente eu queria respostas, queria uma luz, queria que ela apontasse finalmente a direção que eu não estava encontrando no meio da minha imensidão.

A primeira leitura dela sobre a minha pessoa admito que me emocionou bastante, achei incrível como estando ali há poucos minutos aquela pessoa já poderia saber tanto sobre mim. Mas dali para frente o que se passou foi uma sequência de coisas que eu poderia ter dito a mim mesma. No fundo, no fundo, eu sabia. Todos sabem. Mas essa voz externa, e nesse caso, materializada de carne e osso em forma de terapeuta espiritual, era exatamente o que eu precisava naquele momento para acreditar. Minha energia se transformava a cada palavra que eu ouvia e assim eu ia ganhando forças para tirar o meu barquinho do lugar.

Não, ela não previu exatamente o meu futuro, não disse com quem me casaria, quantos filhos eu teria, ou como e onde eu estaria daqui 5 anos. Mas tudo que ela falou tinha afinidade com o que eu gosto, me identifico, com como eu me sinto. Por isso mesmo, tenho certeza de que tudo que ouvi veio de alguma forma de dentro de mim, das minhas vontades e anseios. E aquela pessoa ali, no meio dos incensos e cartas assumia o papel de materializar os meus pensamentos e proferir tudo em voz alta.

Esse papel, por vezes é da psicóloga, do irmão, da mãe, do melhor amigo. Às vezes vem de um estranho, de uma mesa de bar, de um texto que você leu. Não saberia explicar, mas há coisas que precisamos realmente ouvir dos outros para que façam sentido e só a partir daí encontramos as respostas dentro de nós. É como se no meio de toda a névoa que você vê, alguém que está do lado de fora, te enxergasse perfeitamente, e assim pudesse afastar as nuvens e abrir um caminho de luz para você.

 

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Patrícia Born (Blog Pessoal: Parafraseando)pefil

Gaúcha, morando no Rio por opção. Escreve porque já fala demais sozinha.

Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

Acredita que a maior experiência que o homem pode ter é sair pelo mundo para ver tudo

com os seus próprios olhos. Para as dores da alma: um ombro amigo e um banho de mar.



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