Pessoas inspiradoras

Coletor de lixo, que passou 10 anos estudando, é aprovado em concurso de técnico em enfermagem

Lúcer teve uma vida de superação. Filho de um pedreiro e uma feirante, ele nunca mediu esforços para conquistar seus sonhos.



Os sonhos são capazes de nos fazer movimentar, são responsáveis por nos dar gana para viver. Para alguns, realizá-los não exige tanto esforço, bastam algumas movimentações no seu tabuleiro da vida e, pronto, objetivo cumprido!

Mas, para outros, talvez para a maioria da população, é preciso caminhar por uma longa estrada, cheia de obstáculos e provações, que podem nos fazer levar anos até alcançar aquilo que tanto almejamos.

Há cerca de dez anos, Lúcer Clébio, agora com 34 anos, retomou os estudos, enquanto conciliava com o duro trabalho de coletar lixo nas ruas de Macapá, capital do Amapá. Filho de pedreiro e uma feirante, ele precisou começar a trabalhar aos 12 anos e, apenas dois anos depois, viu a mãe ser assassinada brutalmente.


Ainda assim, Lúcer conseguiu concluir o ensino médio e fez, durante três anos, um cursinho pré-vestibular no Colégio Desafio, que ajudava alunos humildes e carentes a se preparar para a faculdade. Quando completou 23 anos, ele conseguiu ser aprovado num processo seletivo para técnico em cozinha no Centro de Ensino Profissionalizante Professora Josinete Oliveira Barroso.

No ano seguinte, foi aprovado em pedagogia, na Universidade Estadual do Amapá (UEAP), formando-se em apenas quatro anos. Ele conta, em entrevista para o Seles Nafes, que aqueles foram anos difíceis, em que ele vivia apenas para estudar.

Casado com a antiga esposa, à época, ele conta que ela foi seu braço direito e que hoje deve muita coisa a ela. Em 2016, passou no vestibular para Letras e Fisioterapia, e acabou optando pelo segundo curso, já que tinha o sonho de ser fisioterapeuta havia muito tempo. Lúcer tem dois filhos de criação, Lucas, de 16 anos, que tem paralisia cerebral, e Luane, de 14 anos, que possui déficit cognitivo. Ele tem ainda uma filha biológica chamada Lívia, que nasceu do seu antigo relacionamento.

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.


Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

Justamente por causa do enteado, que tem paralisia cerebral, a fisioterapia acabou conquistando-o. Outro divisor de águas foi o fato de seu irmão ter morrido em 2016, após um acidente, por não ter feito fisioterapia respiratória. Ainda não conseguiu se formar, já que a pandemia atrasou todo o rumo do curso, e como precisava sustentar sua família, foi aprovado num processo seletivo para coletor de lixo.

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

Assim que publicou em suas redes sociais uma foto mostrando o trabalho, foi humilhado por um seguidor, que fez pouco caso da sua profissão. Ele tentou ser enfático e conciso, e explicou ao usuário que ninguém coleta lixo de outras pessoas debaixo do sol porque deseja, mas porque precisa.


Além disso, ele falou que debaixo daquele simples uniforme, existe um homem, um pai, um amigo ou um irmão que tem sentimentos e que merece respeito, assim como qualquer outro profissional.

Os últimos 10 anos de estudo também lhe renderam a aprovação em um concurso público como técnico em enfermagem, para atuar no estado. Lúcer apenas aguarda ser chamado para assumir o cargo, mas já foi capaz de mostrar que desistir não faz parte do seu vocabulário.

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