Às vezes, eu paro, penso e repenso tudo aquilo que abri mão só pra tentar fazer alguém feliz. Então, vi que pessoas partem, que nunca estão satisfeitas com nada, que querem sempre desordenar o coração da gente, querem tirar o que podem só pra depois sentirem o gosto de que nada deixaram além de um […]
Então, vi que pessoas partem, que nunca estão satisfeitas com nada, que querem sempre desordenar o coração da gente, querem tirar o que podem só pra depois sentirem o gosto de que nada deixaram além de um grande vazio.
Hoje estou em primeiro plano, estou muito mais à frente do que qualquer sentimento barato, do que qualquer superexposição.
Demorei a entender que é melhor eu me ajeitar com a consciência, com a certeza de que muita coisa já foi tarde, e que eu gosto de amanhecer sem qualquer sensação de estranheza no peito.
Tenho apreço por aquilo que não rouba minha identidade, não zomba do que é verdadeiro.
Perdi muito tempo tentando me achar onde não havia lugar, onde não havia nada mais do que palavras e atitudes sem sentido de gente que nunca conseguiu ser.
Nem sempre é fácil libertar-se de certos vícios de amor. Mas sei que não nasci para ser qualquer coisa, para ser adorno, para ser acessório de alguém.
O que empaca não faz a vida andar, o coração movimentar, a alma aquecer.
Demorei até colocar um freio naquilo que já estava se tornando abusivo.
Aí eu vi e revi meus valores revi aquele amontoado de coisas que eram para ontem e não decidi. Demorei para pegar as rédeas, demorei pra dar o tom do que eu realmente queria no momento.
E vi que ainda dava tempo, que eu não tinha certeza de nada, mas que minha impulsividade ajudar-me-ia a me libertar daquilo que travava e que não me deixava crescer.
Eram roupas velhas e esfarrapadas, coisas incertas que eu deixei acumular no fundo do armário, achando que talvez, um dia, novamente as pudesse usar.
Que nada. Elas foram, assim como eu fui.
Agora estou retornando à minha casa, estou retornando ao meu próprio convívio.
Voltei daquela sensação de dormência e impotência. Despertei, arrumei-me, passei um batom, ajeitei o semblante e pedi por felicidade, paz e luz.
_______
Direitos autorais da imagem de capa: subbotina / 123RF Imagens