Comportamento

Com câncer raro, grávida de 6 meses se recusa a fazer aborto para salvar sua vida: “Tomei uma decisão”

Com uma filha de 10 meses e grávida de seis meses da segunda, Tracey descobriu um tipo raro de câncer nos ossos e acabou sendo abandonada pelo pai das crianças, que não queria “vê-la morrer”.



Existem momentos da vida que jogamos para vencer, mesmo sabendo que as chances de acontecer o contrário são altas. Lutamos contra as probabilidades porque não temos mais nada a perder, a única coisa que podemos fazer é tentar resgatar um pouco da nossa dignidade sem nos importar com as consequências.

Com apenas 18 anos, Tracey Ferrin foi diagnosticada com um tipo raro de câncer ósseo, chamado osteossarcoma. Quando recebeu os resultados de seus exames confirmando a doença, ela estava no sexto mês de gravidez da sua segunda filha; sua primogênita estava com apenas 10 meses.

O conselho médico que recebeu foi de interromper a gestação, já que na época não existiam estudos mostrando que bebês nasciam saudáveis quando a mãe fazia tratamento de quimioterapia no primeiro ou segundo trimestres. Para a jovem mãe, um aborto não era opção, e disse à equipe que acompanhava seu caso, que esperaria até depois de dar à luz.


Os profissionais de saúde foram categóricos quando disseram que ela não tinha tempo, que seu osteossarcoma era de alto grau, o que significava que as chances de sobreviver iam diminuindo a cada dia, correndo risco de o câncer se espalhar para outros órgãos.

Em um forte relato para o site Love What Matters, Tracey conta que não importa a idade da mãe, os instintos de proteger os filhos são ferozes.

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

Os médicos queriam salvar sua vida, mas ela só conseguia pensar em Fayth, a pequena que estava em sua barriga. A única coisa que passava por sua cabeça, naquela ocasião, era que escolher Fayth significava a possibilidade de perder Elly, a primeira filha, já que poderia não estar viva para vê-la crescer. Dependia apenas dela aquela difícil decisão, mas Tracey explica que se manteve firme.


Como sua equipe não tinha muita escolha, informou que poderia dar mais algumas semanas para que Fayth atingisse o terceiro trimestre, o que aumentaria as chances de a quimioterapia não afetar sua saúde, mas não havia garantias quanto a isso. Foram três semanas de espera e, para a mãe, foi a maneira de dar a todos uma chance de lutar pela vida.

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

Logo após a primeira rodada de quimioterapia, o marido a abandonou, os familiares disseram que ele não se sentia confortável por ficar parado vendo a mulher que amava morrer. Mesmo compreendendo, Tracey não se sentiu melhor com essa justificativa, e percebeu que estava sozinha na maior batalha que travaria em sua vida, com duas filhas pequenas.

Hoje ela não sente nenhum remorso em relação à atitude do ex, porém, naquele momento, ficou com o coração partido, mas achava que pedir que ele ficasse ao seu lado era demais, já que ele era muito jovem.


Tracey pediu o divórcio. Depois de mais duas rodadas de quimioterapia, sua caçula nasceu, um pouco prematura, mas os médicos preferiram assim, para que não corresse mais risco de complicações.

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Fayth foi direto para a UTI neonatal e a mãe precisou ser levada para mais quimioterapia e uma cirurgia de emergência. Ambas precisaram ser fortes. Ao longo do tratamento, Tracey teve insuficiência renal, pressão arterial baixa, feridas na boca, que a impossibilitavam de se alimentar, desnutrição e desidratação, conjunto de efeitos colaterais que a mandavam para o pronto-socorro com frequência.

O corpo foi ficando sobrecarregado com o tratamento, ela perdeu temporariamente suas habilidades motoras, não conseguia se comunicar, não andava sozinha, perdeu sua independência e foi ficando extremamente frustrada com toda a situação.


O resultado foi uma forte depressão, o que fez Tracey buscar refúgio em remédios para não precisar encarar a realidade. Esse foi o momento em que sentiu que, talvez, a morte seria melhor do que tudo o que estava passando. Mesmo sem querer morrer, poderia ser uma alternativa melhor.

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

Foi quando lembrou do tio falecido com leucemia 10 anos antes e do que sua família disse à época, que ele não havia morrido por causa da doença, mas por conta da quimioterapia. A mãe se deu conta de que precisava dar tempo para seu corpo tentar se recuperar de todo aquele “veneno” que havia colocado dentro de si, permitindo sua cura do coração e da mente também.

Tracey precisou reaprender a andar, a se socializar e a fazer parte de um mundo que ela julgava ser completamente estranho. Com o passar do tempo, começou a compartilhar um pouco da sua história, e foi percebendo que isso a tornava mais leve, então decidiu que aquela era a hora perfeita para tentar compreender todas as lutas que precisou passar.


Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

A mãe adquiriu a percepção de que as lutas podem ser a seu favor, não contra, e isso fez com que passasse a crer mais no universo, e isso a transformou completamente.

Todas as lutas eram oportunidades de crescimento, grandes ou pequenas, todas ofereciam algum tipo de evolução, cabe apenas a nós reconhecer isso. Ela conheceu o amor de sua vida depois de toda a tempestade. Fayth completou 16 anos e a família se transformou em uma unidade.


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