Começando tudo outra vez…



Estamos às portas de um novo ano, e como sempre, vem aquele momento de balanço que nem sempre é agradável para todos. Você já sentiu como se as coisas se repetissem, entra ano, sai ano sem perspectiva de melhora? Sabemos que estamos incomodados com alguma coisa, mas não sabemos o que é exatamente, nem como remover tal incômodo…

Esse não saber nos frustra imensamente, fora que a nossa vitalidade e criatividade vão para o ralo saco. E sabe por quê? 

Porque não estamos em contato com nós mesmos. Chegamos a realizar coisas, mas continuamos insatisfeitos, porque fazemos o que O OUTRO acha que é interessante para nós. Ou o que a sociedade determina que é bom e perfeito. Dogmas foram feitos para orientar, sim, mas também para serem revistos e até quebrados, certificada a sua caducidade.

Se tirarmos o nosso olhar do que criamos em nossa mente como costume e passarmos a perceber a grandeza do mundo onde estamos, encontraremos infinitas formas de diversão e encantamento pela vida.

Mas fazemos justamente o contrário! Engolimos conceitos e termos da atualidade, sem, no entanto, testá-los para verificar se são adequados à nossa vida. Ou pior: nós é que temos que nos adequar ao que é instituído. É comum nos vestirmos de uma racionalização que justifica uma pertença a uma ordem atual. E que certamente nos despersonaliza de nós mesmos.

Tal coisa nos leva a um estado de desequilíbrio constante. Porque o nosso ser clama para ser livre, do jeito que ele está destinado a ser, e vive continuamente em oposição à uma necessidade de estar categorizada a uma norma que não é eterna, mas necessária para sei-lá-o-quê.



Nós, seres humanos, nascemos com uma tendência dupla: de sobreviver como indivíduos em espécie e crescer. É um desafio ante a nossa interação com o meio no qual vivemos.  

O Humanismo, movimento difundido na Europa durante a época da Renascença, faz a seguinte pergunta para nós: “Que pessoa sou eu? Como eu me apresento ao mundo?”. Esses questionamentos vigoraram com o intuito de fazer o homem pensar como ele se criaria a partir de si mesmo, existindo e tomando posse de si e do mundo. Não seria apenas uma questão de debate teórico sobre o homem, mas sobretudo fazê-lo se tornar autônomo sobre as próprias escolhas. Adotar esta posição humanista obriga-nos a aceitar o ser humano como um todo que está neste universo infinito, para ser compreendido sempre a partir de si mesmo, pois ele sabe o que é melhor para si.

O Existencialismo, outro movimento filosófico que teve como um de seus grandes representantes Jean Paul Sartre, concebe o homem como um ser que existe ANTES de poder ser definido por qualquer conceito. O homem deverá encontrar a si mesmo, surgir no mundo, sendo alguma coisa, a partir do que ele fizer dele mesmo. Para o filósofo, o homem é um ser particular, dotado de vontade própria liberdade pessoal, consciente e responsável por suas escolhas.

Para terminar, deixo uma frase do grande Sartre que diz: “O homem não é explicado pelas coisas nele ou dele, ele é a sua própria explicação”.  Como você está se explicando ao mundo? 


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