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Como a ferida da ausência paterna se manifesta na vida adulta?

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De acordo com o psicoterapeuta Jed Diamond, que lida com a área familiar e matrimonial, a ausência física ou emocional do pai pode causar traumas na vida adulta.

No Brasil, o abandono paterno é uma realidade que permeia as relações familiares e a vida de milhões de pessoas. O impacto da falta de registro não recai apenas sobre as crianças que nunca conhecem seus pais, mas também sobre as mães que ficam com a responsabilidade de todo cuidado, trabalho remunerado e doméstico.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018, mostram que 5,17% das crianças não foram registradas por suas figuras paternas, enquanto no ano seguinte, esse número subiu para 6,15%. Estima-se que mais de 5,5 milhões de pessoas nunca tenham tido o reconhecimento paterno e mais de 12 milhões de mulheres chefiam os lares sozinhas, sem nenhum apoio. Destas, mais de 57% vivem abaixo da linha da pobreza.

Mas, além de aumentar a vulnerabilidade social, o abandono paterno também pode impactar negativamente a vida das crianças de forma prática, fazendo com que carreguem traumas até a fase adulta. É importante salientar que os dados representam apenas uma fatia da realidade, já que muitos pais até registram os filhos, mas não arcam com nenhuma responsabilidade financeira e/ou afetiva e emocional.

Segundo o psicoterapeuta Jed Diamond, que se coloca como sobrevivente da chamada “ferida do pai”, essa falta do genitor pode acarretar problemas no casamento e em outras relações. Ele explica que a ferida do pai é a “disfunção psicológica, relacional e física” que ocorre em pessoas que cresceram com um pai ausente, seja fisicamente ou emocionalmente.

Para ele, muitos problemas registrados na fase adulta podem ser facilmente justificados pela ausência paterna, como compulsão alimentar, dificuldades em manter relações amorosas e até mesmo problemas de confiança e autoestima. Segundo o psicoterapeuta, as crianças precisam apenas que seus pais as amem, ofereçam-lhes cuidado permanente e tenham a capacidade de enxergá-las como são.

O profissional afirma que, em muitos casos, as pessoas tendem a preencher os vazios com a presença de outras pessoas mas, embora isso ajude, não resolve o problema de que existem questões que, futuramente, vão precisar ser resolvidas. Para ele, a falta do pai também pode afetar homens e mulheres distintamente, elas porém tendem a desenvolver depressão e medo, enquanto os homens demonstram raiva quando lidam com questões que não compreendem.

As principais formas de manifestação da ferida paterna na vida adulta se apresentam em duas categorias de sentimento: distância e raiva ou insegurança e apego excessivos. Na primeira categoria, acabamos afastando as pessoas que amamos como uma reação pela falta de uma figura importante. Já na segunda categoria, faz com que passemos a maior parte do tempo exigindo que as outras pessoas nos deem garantias inatingíveis e impossíveis, demonstrando carência e apego.

Jed Diamond explica que teve consciência de que a ausência paterna estava influenciando sua vida negativamente, quando se percebeu casado pela terceira vez, mas querendo manter aquela união sem estragar tudo, como tinha feito das outras vezes. Foi quando teve o estalo de olhar um pouco para o seu passado, em busca de respostas, então procurou um conselheiro, que o ajudou a curar essa ferida paterna.

Parte do trabalho de enfrentar ao revisitar os traumas passados, foi justamente compreender que ele estava apenas colocando no outro as expectativas daquilo que desejava em sua infância. Depois que conseguiu ultrapassar esses problemas, conseguiu compreender que o passado não deve pertencer ao presente e que depois de bem resolvidas, as situações de terceiros não podem influenciar nossa vida atual.

De acordo com o profissional, o primeiro passo é reconhecer que existe um problema ali, e para esse problema há solução. Com esperança, o segundo passo é se comprometer e ter coragem de reconhecer seus erros a partir da descoberta. Na terceira etapa, receber apoio e suporte de quem já passou por isso é uma das melhores maneiras de receber orientação. No último passo, reconhecer que essa cura é importante para você é o principal foco.

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