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Como as lembranças da infância ajudam no seu autoconhecimento?

Os acontecimentos que vivemos e presenciamos desde que somos crianças refletem o adulto que somos hoje. 


Na infância construímos o alicerce, valores, caráter, princípios, crenças limitantes e começamos a colecionar as ferramentas que serão usadas para lidar com as diversas situações do dia a dia sejam elas desafiadoras ou não.

Uma das coisas que me orgulho muito é de ter ótima memória. Eu consigo me lembrar de muitas coisas da minha infância e adolescência que deixam muitas pessoas surpresas. E, essas lembranças auxiliam na tarefa de me entender melhor. Aliás, o autoconhecimento é uma coisa que me fascina. Eu sempre tive vontade de saber mais a meu respeito, de me decifrar para me fortalecer e derrubar obstáculos sem me machucar. Não é tarefa fácil e não acontece da noite para o dia.

O autoconhecimento requer determinação para enfrentar dores, angústias, medos, preconceitos, ou seja, os fantasmas que assombraram e podem continuar assombrando, se não forem eliminados de forma consciente. 


Aconteceu um fato quando eu era pequena que foi relatado pela minha mãe. Desse eu não lembro, pois deveria ter 2 anos. Acredito que conseguimos ter consciência da memória a partir dos 3 anos de idade. Mas, esse fato contado pela minha mãe me chamou a atenção e me fez compreender porque eu lido de uma determinada maneira com os meus fracassos.

Bem, nós morávamos em Novo Hamburgo/RS, Capital Nacional do Calçado. Naquela época, anos 70, muita gente trabalhava em casa fazendo calçados ou trabalhando para empresas do ramo. Nos fundos da minha casa morava o Sr. Alfredo. Ele era sapateiro e fez para mim um tamanquinho vermelho, lindo!  Lembro muito bem desse tamanquinho que tinha a sola bege e o couro vermelho. Eu sei que eu amava usá-lo.


Mas, minha mãe contou que eu vivia caindo com ele e sempre me machucava até que ela decidiu esconder o tamanco.

Eu o esqueci até que um dia vi minha mãe mexendo no maleiro do seu guarda-roupa e enxerguei o tamanquinho!

O que aconteceu a seguir é que incomodei tanto a minha mãe para ela me devolver o dito que ela acabou cedendo, sob uma advertência: “Eu vou devolver, mas se você cair e chorar… vai apanhar!” Eu concordei. Calcei o tamanco, e saí correndo pelo piso “recém encerado”. A minha mãe viu o risco no chão e o corpinho esticado. Sim, eu tinha caído. Mas, levantei, olhei para ela e disse (sem deixar cair uma lágrima dos olhos): “Ai, quase que eu caio.” E fui brincar.

Eu não me lembro desse episódio como falei anteriormente, mas o acho engraçado e interessante pelo fato de ter caído e não ter admitido o fato. E, esse acontecimento tem muito haver com a forma como lido com meus tombos, tropeços e fracassos. Eu consigo tirar forças de dentro de mim de uma forma que dou um jeito de superar o que passou e correr para o objetivo final que é o que me interessa. Dói, fico triste, mas a vontade de alcançar o que quero é maior.

O que eu quero deixar de ensinamento com este texto é que você preste atenção em como lida com seus problemas, frustrações e busque referências na sua infância.

É um bom começo para melhorar seu autoconhecimento e se entender melhor.

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Direitos autorais da imagem de capa: tomsickova / 123RF Imagens





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