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Como dizia clarice: “eu te deixo ser. Deixa-me ser então”.

Um caminho é só um caminho, e não há desrespeito a si ou aos outros em abandoná-lo, se é isto que o coração nos diz… Examine cada caminho com muito cuidado e deliberação. Tente-o muitas vezes, tanto quanto julgar necessário. Só então pergunte a você mesmo, sozinho, uma coisa: “Este caminho tem coração?”. Se tem, o caminho é bom, se não tem, ele não lhe serve. Um caminho é só um caminho (Carlos Castañeda).



Por quantas vezes você tentou encontrar o seu lugar no mundo? Quantos foram os caminhos que já trilhou à procura da sua verdade? E por quantos momentos, em nome de agradar e tentar se encaixar em lugares que não te cabiam, não te queriam, não te mereciam, ou que em nada combinavam com a sua essência, você já se perdeu de si mesmo ao longo da jornada?

Quantos foram os erros que já cometeu até aqui? E quais deles, de fato, transformaram-se em aprendizado? Até onde ir para conseguir alcançar aquilo que almeja? Até que ponto chegar para transformar seus sonhos e objetivos em realidade? Será que a sua verdade está em tudo o que você faz? Onde está a sua verdade?

Entre encontros e desencontros, erros, acertos e uma coleção de pequenos arrependimentos (ou grandes lições do que fazer ou não fazer mais), é comum que às vezes a gente se quebre e se parta inteiro mesmo, dê de cara com o muro ou com a porta fechada, com a pedra e a estaca, os julgamentos dos outros, os nossos próprios julgamentos, o dedo apontado na cara, a cara vermelha de choro na frente do espelho, o pensamento de que não vale mais a pena seguir, a vontade louca de levantar do chão e começar de novo. Tudo junto… misturado… confuso… faz parte. Das nossas falhas. Das nossas forças. Das nossas buscas. Da nossa humanidade. Da nossa verdade. De quem a gente é.


Porque a verdade é que a gente ainda vai errar muito, sim. E vai fazer coisas das quais não nos orgulharemos depois.

E sentir coisas que a gente não queria sentir. E dizer coisas que a gente não queria dizer. E se contradizer em promessas que não conseguiremos cumprir. E se deixar paralisar por medos que ainda não somos capazes de encarar.

A verdade.

A verdade que às vezes nos leva a querer ser os donos da razão. Que nos faz apontar o dedo na cara do outro e atirar a pedra, sem dó nem piedade, mesmo quando sabemos que o nosso teto também é de vidro. A verdade que pode nos trazer a paz e o conforto, mas que também pode nos fazer cair em perigosas armadilhas do Ego e da vaidade.


A verdade.

Porque a verdade é que a gente ainda vai se perder algumas vezes mesmo. E vai se enrolar inteiro numa tentativa sincera de fazer dar certo, consertar o que acha que tem conserto, aparar as arestas, destralhar o que não tem mais utilidade, seguir com mais leveza na vida, mesmo que às vezes a bagagem ainda esteja pesada demais.

E tudo isso pode doer muito, sabe? E pode ser que seja muito difícil às vezes. E pode ser que você seja mal interpretado também, mesmo que tenha as melhores das intenções. Mesmo que faça tudo com muita verdade.

Porque a verdade é que as pessoas interpretam as coisas a partir das suas próprias verdades, não é mesmo?

Então é isso. Nessa batalha voraz que se desenrola na arena da vida, às vezes de forma tão polarizada, acalorada e extrema, lutamos contra a verdade do outro sem nos colocarmos verdadeiramente no lugar desse outro, não no sentido de concordar, aceitar ou deixar de ser, mas de respeitar e de permitir dizer.

Porque se a sua verdade quer ser ouvida, ela não pode querer calar.

É como dizia Clarice: “Eu te deixo ser. Deixa-me ser então”.

A verdade.

A cada dia acredito com mais intensidade que os momentos difíceis que experienciamos na nossa jornada são verdadeiras oportunidades de reavaliação, reflexão, aprendizado e alinhamento das escolhas que fazemos na vida com a nossa mais pura essência, o nosso eu de verdade, aquele que existe sem máscaras e sem disfarces. E que independe de qualquer circunstância para se revelar transparente, honesto e sincero, em toda a sua totalidade.

Sempre que você se deparar com uma situação difícil ou com algo que o incomode, revolte ou o faça  sofrer, consulte a sua bússola interna, que é o seu coração, e então pergunte-se: “Onde está a minha verdade?”.

Olhe para dentro. Às vezes, muito melhor do que estar certo aos olhos dos outros, é estar em paz. Paz interior. A nossa maior e mais valiosa verdade.


Direitos autorais da imagem de capa: wallhere.com / 1144150

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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