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Como parei de me sentir culpada por fazer o que é melhor para mim

“Uma boa regra é que qualquer ambiente que consistentemente deixe você se sentindo mal sobre quem você é, é o ambiente errado.” – Laurie Helgoe

Você já se preocupou com o fato de que, por estar satisfazendo suas próprias necessidades você poderia decepcionar os outros? Você já se sentiu culpado por fazer o que era melhor para você?



Durante anos, eu me senti culpada por querer ter tempo para mim. Eu pensava que estar sozinha, longe do resto do mundo, significava ser egoísta. Isso acontecia em particular em um relacionamento tóxico que constantemente me puxava para baixo justamente porque eu tinha medo de fazer uma mudança. Como a pessoa compassiva que sempre foi uma boa ouvinte e doadora, eu fui atraída pelo comportamento instável e carente dele, pensando que poderia ajudá-lo a mudar para melhor.

Mas depois de dois anos tendo que lidar com constantes atitudes de possessividade vindo de um parceiro inseguro que me achava egoísta sempre que desejava estar sozinha, eu sabia que estava chegando no meu limite.

Eu me lembro de uma noite, em que depois de um dia exaustivo de trabalho, eu queria apenas uma noite tranquila. Enquanto eu dirigia para casa, só conseguia pensar em tomar um banho quente, beber uma taça de vinho e ficar de pijama.


Sob a luz esmaecida da lâmpada ao lado da minha cama, enquanto eu lia um livro, eu me perdi num mundo imaginário que fez minha alma ganhar vida. 

Apenas alguns minutos depois, recebi uma mensagem de texto dele, exigindo que eu ficasse pronta em dez minutos, porque, segundo ele, iríamos sair e eu não tinha escolha.

No começo, ignorei a mensagem e voltei à minha leitura, pois ele tinha feito planos no início  da semana com seus amigos. Então, ele ligou, mas eu não atendi. Finalmente, depois de várias tentativas de se comunicar comigo, ele veio até o meu apartamento, batendo na minha porta.

Eu fingi que estava dormindo e não atendi. A verdade é que eu estava com medo e relutante em abrir a porta devido ao seu comportamento habitualmente agressivo.


Eu não queria confrontá-lo, porque sabia que ele não entenderia. Eu me sentia mentalmente e fisicamente drenada por ter que me explicar constantemente e por deixar que ele me manipulasse sempre. Eu estava cansada de ter que inventar razões convincentes para justificar que precisava de tempo para mim e estava farta de sempre ter que mudar meus planos para agradá-lo.

Mas quando ele se foi, comecei a me sentir mal. Eu me sentia culpada por evitá-lo e por não ter sido capaz de enfrentá-lo. O que me fez sentir ainda mais culpada foi que finalmente fiz o que eu por tanto tempo tive vontade. Eu escutei minha voz interna e fiz o que era melhor para mim.

Depois daquele dia, decidi acabar com o relacionamento tóxico que me fazia duvidar do meu valor e me assustou emocionalmente durante anos.

Eu finalmente encontrei coragem para confrontar a pessoa que usava culpa, acusações e ameaças para encobrir todos os seus próprios erros.

Ao longo de todo o nosso relacionamento, eu me desculpava toda vez que ele me machucava porque me sentia culpada por fazer com que ele se sentisse mal. Eu tentava tanto ser a namorada perfeita que nunca errava que eu nunca falava o que eu realmente pensava. Eu me via concordando com tudo enquanto minha consciência gritava o contrário. Por muito tempo, tentei consertar o que estava quebrado. Eu me senti magoada, sozinha e traída.

A verdade é que eu acreditava que era responsável pelo que ele sentia. Por suas ações. Por como ele me via. Eu estava com medo de ser julgada, então eu acabei diminuindo o meu valor para fazer com que ele se sentisse confortável. Eu estava, lentamente, me perdendo de mim.

Tornei-me uma perfeccionista, obsessiva, paralisada pelo medo de não ser boa o suficiente. Tudo o que eu fazia tinha que ser absolutamente perfeito. Mas não importava o quanto eu tentasse, nunca era o suficiente para satisfazer as expectativas que ele tinha de mim.

Hoje eu sei que a culpa que eu senti naquela noite foi a reação a que eu me acostumei a ter, minha zona de conforto me dizia que eu estava segura.

Mas não importa o quanto eu me sentisse culpada por fazer o que eu achava que era certo para mim, ganhei coragem inestimável para começar a fazer uma mudança. 

Foi preciso muito trabalho, paciência e compreensão, além de aprender através do crescimento e da mudança, para saber o que eu queria de um relacionamento e como queria ser tratada.

Eu comecei com o perdão. Eu me perdoei por não ouvir minha intuição e por tratar mal meu corpo e minha mente. Sabendo que não posso mudar o passado e que, na verdade, não quero voltar para ele, fiquei atenta aos erros que cometi e aprendi lições valiosas.

Quando me tornei honesta comigo mesma sobre o que queria, comecei a cuidar de mim mesma, preservando minha saúde, nutrindo meu corpo e alimentando minha alma. Eu deixei minhas prioridades claras e percebi o que era importante para mim.

Encontrar coragem para por um fim ao meu relacionamento doentio me inspirou a agir e fazer algo sobre outros aspectos da minha vida que me afetavam negativamente.

E quando fiz isso, coisas incríveis começaram a acontecer. Eu comecei a fazer escolhas melhores, a adiar gratificações imediatas que na verdade apenas me machucavam e assim me tornei uma pessoa mais feliz e produtiva.

Depois que eu me perdoei, perdoei os outros também. Não importa o quão difícil isso tenha sido, eu encontrei a força para perdoar alguém que me prejudicou e pedi perdão a todos que eu tinha inadvertidamente ou deliberadamente injustiçado no passado.

Perdoar alguém significa que você está deixando a amargura e ressentimento em relação a essa pessoa irem embora. Isso não significa que você precisa ter contato ou continuar mantendo-os em sua vida.

Eles nem precisam saber que você os perdoou, mas em seu coração, você sabe que não tem mais essa mágoa, apenas amor e aceitação.

Finalmente, eu me aceitei por quem sou e por ter minhas próprias necessidades. Voltei a ler diariamente e fazer cursos para aperfeiçoar minhas habilidades. Comecei a confiar em minhas necessidades e desejos inatos porque percebi que cabe a mim decidir como passo meu tempo e quanto tempo sozinha eu preciso.

Às vezes, nós nos sentimos culpados por não falar o suficiente, por não sair tão frequentemente quanto pensamos que devemos, e por evitar situações sociais porque precisamos de tempo sozinhos. Muitas vezes acabamos em relacionamentos tóxicos porque damos, amamos, nos preocupamos com os sentimentos de outras pessoas e não queremos machucar ninguém.

Mas nosso tempo sozinho é tão vital para o nosso bem-estar que, se não ouvirmos nossas necessidades, acabamos sentindo frustração, ressentimento e o inevitável cansaço que os acompanha.

Viver a vida de acordo com as suas próprias necessidades não faz de você uma pessoa egoísta. Não existe problema em passar tempo longe dos outros, para satisfazer sua necessidade de ler, escrever, criar e explorar. Não há problema em querer ficar sozinho e aproveitar seu tempo. Não há problema em fazer o que você precisa para se sentir realizado, equilibrado e conectado consigo mesmo.

Nunca se sinta culpado por fazer o que é melhor para você ou por priorizar o que você valoriza na vida. Nunca se sinta culpado por ser honesto sobre como se sente e nunca peça desculpas por ser quem você é.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123rf / linux87

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