Como seria programar uma passagem suave ao outro plano?

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Você deve conhecer aquela famosa frase que diz: “Não somos seres humanos vivendo uma experiência espiritual, somos seres espirituais vivendo uma experiência humana”, do Teilhard Chardin. E cá entre nós, algumas experiências a maioria não gostaria de vivenciá-las. As de morte, por exemplo.



Não temos controle sobre o dia de amanhã ou sobre o que vai acontecer daqui a poucas horas. Pelo menos por enquanto.

Porém, deve haver um desejo dentro de muita gente de que o momento da despedida deste plano seja tranquila, sem dores, sofrimentos.

E durante os anos que antecedem esta passagem que a gente não precise da ajuda de outras pessoas para fazer as coisas mais básicas do dia a dia. Muitas experiências humanas são interessantes. E a morte também pode ser.

Resumindo: queremos partir como chegamos a este mundo – pelo menos a maioria de nós – saudáveis. Que a vida não esgote nossos movimentos, nossa memória, nosso desejo de sermos independentes.


Muitos filhos não gostariam de ter que cuidar de seus pais na velhice. Cuidado no sentido de tratar, levar e trazer, trocar, alimentar. Filhos querem pais com saúde, físIca, mental e espiritual todos os dias de suas vidas.

Nós nos programamos ao longo do tempo para cuidar deles, porque é isso que pregamos todos nós quando o assunto é a nossa finitude. Mas poderíamos mudar esta atitude mental e pensar que quando dos últimos anos de suas caminhadas eles tenham vivido os melhores momentos. Não só conosco, mas com os amigos da mesma idade, com as pessoas que eles amavam.

O desejo profundo é de pais que viagem, que se locomovam para onde bem entenderem. Lúcidos, capazes de continuarem resolvendo questões cotidianas.

E isto é possível de acontecer. Mas é preciso acreditar que este fenômeno de velhice sofrida, enclausurada pelos quais passamos, podem não fazer parte das experiências.  Que podem se alterar se não nos apegarmos a eles.


Um dia em uma reunião da Seicho No Ie, eu esbocei a vontade de partir como meu pai e minha avó: virar para o lado fechar o olho e encerrar a vida aqui. E um senhor muito sábio falou: “E por que não dormindo, de forma ainda mais suave, tranquila?” Aquilo me fez pensar.

Que verdade! E pode sim ser assim. Muitos que são adeptos desta filosofia de vida acreditam em vivências melhores justamente por praticarem a verdade que Deus pregou: tudo é perfeito. E o desligamento deste plano também pode ser de forma plena.

É assim que prefiro seguir pensando e não imaginando que minha mãe vá envelhecer e precisar de todos os meus cuidados.

Claro que quero ser presente sempre na vida dela, mas desejo que ela continue sendo como é: independente, que resolve suas coisas que faz e acontece.

E que seja assim com ela, com os amigos dela, os familiares, com os vizinhos que já não têm mais seus 60, 70, 80 anos. E será assim comigo, com a minha vida. Até já oriento minha filha. “Não pense que serei ‘veinha gagá’, dependente, cheia de dores.

Você vai se surpreender seu eu chegar aos meus 80, 90, 100 anos de uma forma bem diferente. Esta é a minha atitude! E a sua?


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123rf / rolffimages

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* Matéria atualizada em 09/10/2018 às 5:15






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