Pablo mora com o pai e um irmão de apenas 5 anos. Desde que sua mãe faleceu, ele ajuda o pai com a criação do pequeno e sonha em ser barbeiro

Pablo, um menino de apenas 12 anos, escolheu ser barbeiro após enfrentar muitas dificuldades.
Ele mora com o pai e um irmão de apenas 5 anos. Desde a morte de sua mãe, Pablo ajuda o pai a cuidar do pequeno. Durante um curso, ele compartilhou sua história.
Há dois anos, minha mãe morreu, meu pai só vivia bebendo e eu não tinha como me distrair. Do nada, eu comprei uma máquina que era para raspar o cabelo e cortei o cabelo do meu irmão. Eu tenho futuro e vai ser uma coisa que vai me ajudar e também vai me distrair, é uma coisa que eu vou gostar de fazer, disse Pablo.
Peguei minha bicicletinha e fui em Marcilene. Cheguei lá, perguntei quanto era o curso, o filho dela disse que era mil reais. Ela chegou em mim e disse: ‘você já quer cortar cabelo?’, eu disse: ‘quero’, ela disse: ‘rapaz, não precisa pagar não. Você vai comprar só os materiais’, relatou o menino.
Eu peguei minha carrocinha quinta-feira, 4h30 da manhã, acordei e fui carroçar. Cheguei em casa com R$ 70, comprei uma máquina. Depois, na outra quinta, comprei outra máquina, foi R$ 45. Eu disse: ‘pai, agora o senhor vai me ajudar. Eu fui na Marcilene, comprei tesoura, coisinhas fraquinhas para não ser muito caro. Deu R$ 400 e pouco, só uns negócinhos’. Pai comprou pra mim e disse: ‘eu compro meu filho, eu compro pela profissão. Cê não tá fazendo coisa de errado’, contou.

Foto: Reprodução/Instagram @pablo_barbeeiro e @escolaedufuturo
Pablo relatou que toda vez que o pai está bebendo, ele vai para a barbearia que fundou, senta no sofá e fica vendo vídeos no celular.
Fico assistindo no celular, porque quem me distraía se foi, disse.
Ele começou a treinar, mas ninguém queria cortar cabelo com ele, porque ele é pequeno. Porém, o menino não desistiu.
Criei um Instagram e disse: ‘vou juntar dinheiro para comprar umas pipoquinha’. Comprava pipoca, bala. Eu disse: ‘vou comprar um matizador’, essas coisas para aprender a dar luzes’, comprei, contou.
Foi aí que decidi fazer aquele vídeo. Quando eu fiz aquele vídeo… do nada, 10 mil visualizações. Eu fiquei impressionado. Muita gente mandando mensagem para mim e é uma emoção tão grande. Foi quando Diogo me conheceu, relatou.
Diogo é uma pessoa muito boa na minha vida, me conheceu e disse: ‘vou ajudar esse menino’. [Ele] saiu de Recife, 180 km vindo pra Cachoeirinha, não queria nem saber e foi. Chegou lá, eu tinha falado com ele, perguntado qual era uma máquina boa pra comprar, ela era R$ 57. Ele disse: ‘não compra não, quando eu chegar aí nós olhamos direitinho’, disse.
Eu levei ele na barbearia, ele olhou e chegou Eliano com duas caixas na mão. Quando eu olho [uma máquina] do JRL. Uma coisa que eu nunca ganhei de ninguém foi máquina. Meu pai achava muito caro: ‘compre do seu dinheiro’ e tá certo, peguei e comprei. Chega Diogo e me da [uma máquina] do JRL pra eu trabalhar, uma emoção tão grande que eu acho que minha mãe tá lá no céu muito orgulhosa de mim, comentou.
Eu vou seguir em frente, não vou desistir não, mesmo na dificuldade. Vou ganhando R$ 10, vou juntando… daqui uns dias vou comprar alguma coisa melhor pra mim, finalizou.
Depois da repercussão de sua história, Pablo ganhou diversas oportunidades para estudar e ganhar mais conhecimento em sua profissão.
Um empresário também se emocionou com o seu relato e presenteou o menino com o primeiro celular de sua vida. Um momento que ele não irá esquecer.
O menino continua treinando para melhorar cada vez mais e publica diversos vídeos de seu trabalho.
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