Rapaz que devolveu Pix de R$ 200 mil e foi chamado de trouxa ganha emprego
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Rapaz que devolveu Pix de R$ 200 mil e foi chamado de trouxa ganha emprego

Leandro Pinheiro, um estudante de Goiânia que devolveu involuntariamente um Pix de R$ 200 mil, encontrou não apenas reconhecimento, mas também uma oportunidade de emprego como estoquista em uma multinacional

Leandro Pinheiro, 25, é natural de Santa Inês (MA) e cresceu na zona rural - Foto: Arquivo Pessoal

O estudante que devolveu um Pix de R$ 200 mil recebido por engano foi contratado como estoquista por uma multinacional em Goiânia. Após o caso ganhar repercussão, Leandro Pinheiro, de 25 anos, conta que recebeu reconhecimento dos novos colegas de trabalho.

A contratação ocorreu após um processo seletivo iniciado antes do episódio. Preocupado com o aluguel e a mensalidade do curso técnico de enfermagem, Leandro começou a distribuir currículos nos dias 13 e 14 de janeiro. Ele foi chamado para uma entrevista no dia 16, coincidentemente a mesma data em que recebeu o valor por engano.

A empresa não sabia da devolução do dinheiro. Segundo o estudante, a oportunidade surgiu por indicação do irmão. O episódio do Pix não foi mencionado em nenhuma etapa do processo seletivo, que teve retorno positivo apenas na semana seguinte, após a repercussão nacional.

Reconhecimento veio com frase inusitada dos colegas. Leandro relata que, já no primeiro dia, funcionários da empresa notaram a semelhança. “Mano, você parece com aquele cara que devolveu R$ 200 mil”, disseram os colegas, segundo Leandro. Ao confirmar que era ele, o clima foi de festa. “Vieram me parabenizar, falaram do gesto e quiseram saber como tudo aconteceu.”

Curiosidade reuniu grupos de funcionários para ouvir a história no estoque. Os pedidos para contar o relato surgiam de forma espontânea durante o expediente. “Eu começava a contar para um ou dois, quando via já tinha quinze, vinte pessoas ouvindo ao redor, tudo assustado”, afirmou o jovem.

Estudante ganhou o apelido informal de “Leandro dos 200 mil”. Como há outros funcionários com o mesmo nome no setor, a identificação pelo valor devolvido tornou-se automática.

Desemprego e contas do mês

Antes de conseguir a vaga, o aluguel consumia quase todo o seguro-desemprego. O valor recebido anteriormente não cobria as despesas básicas. Leandro conta que pagava cerca de R$ 1.000 só de aluguel. Após somar a mensalidade do curso e contas de água e luz, ele afirma que não sobrava “absolutamente nada”.

Falta de renda levou ao acúmulo de dívidas e cortes de itens básicos. O estudante afirma que precisou priorizar contas essenciais e, em momentos críticos, recorrer a ajuda externa. “Às vezes eu precisava pedir dinheiro emprestado para comprar comida ou trocar o gás.”

Novo salário é de R$ 1.850 e o orçamento segue apertado. O valor registrado em carteira, para uma jornada de segunda a sexta, é próximo ao que ele recebia no seguro-desemprego. Com o aluguel alto, Leandro explica que a prioridade é estabilizar as dívidas. “Dá para segurar o necessário, mas ainda tenho que cortar muita coisa até conseguir me equilibrar.”

Como foi a devolução do PIX

Natural de Santa Inês (MA) e morando atualmente em Goiânia, Leandro recebeu por engano um Pix de R$ 200 mil após um erro de digitação. No dia 16 de janeiro, o dono de uma transportadora, que havia acabado de comprar uma carreta de bovinos, percebeu o equívoco no pagamento e entrou em contato com o estudante por telefone para pedir ajuda.

Leandro afirmou que não utilizava a conta com frequência e só percebeu o depósito após a ligação. Diante da situação, ele optou por devolver o valor imediatamente por meio do procedimento bancário de contestação do Pix, por receio de implicações legais ou da possibilidade de estar sendo envolvido em um golpe.

A decisão ganhou repercussão nacional e dividiu opiniões nas redes sociais. Enquanto parte do público elogiou o gesto como exemplo de honestidade, outras pessoas criticaram a devolução do dinheiro, afirmando que ele deveria ter ficado com o valor. “Me chamaram de trouxa, disseram que eu tive pena de rico e que deveria ter ficado com o dinheiro”, afirmou.

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