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Compostos da Cannabis podem prevenir contra covid-19, mostra estudo

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Pesquisadores da Universidade Estadual de Oregon e da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon se uniram para produzir um estudo que pode mudar o curso da pandemia.

A pandemia de covid-19 já está entrando em seu terceiro ano consecutivo, e mesmo com o avanço da vacinação, continua infectando muitas pessoas. A imunização reduz as chances de os pacientes desenvolverem a forma grave da doença, mas não as impede do contágio, e é justamente por isso que as medidas de biossegurança são massivamente recomendadas pelos maiores órgãos de saúde do mundo.

Continuamos com a vacinação em massa, buscando atingir ainda mais pessoas, principalmente de países mais pobres, que não tiveram a possibilidade de negociar as doses para sua população por conta do valor, pesquisadores do mundo todo estão em uma cruzada para encontrar formas de prevenir ou mesmo erradicar a doença.

Seguindo nessa linha de raciocínio, sete pesquisadores de duas universidades do Oregon, nos Estados Unidos, publicaram, no dia 10 de janeiro deste ano, um estudo promissor. São eles: Richard van Breemen e Ruth Muchiri, da Universidade Estadual do Oregon, e Timothy Bates, Jules Weinstein, Hans Leier, Escócia Farley e Fikadu Tafesse, da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon.

De acordo com entrevista recente à Vice, o Dr. Richard van Breemen fez questão de explicar mais a fundo sobre a pesquisa que afirma que os “canabinoides bloqueiam a entrada celular de Sars-Cov-2 e as variantes emergentes”, inclusive é esse o nome do estudo que foi publicado no Journal of Natural Products. A Cannabis está sendo analisada como substância capaz de prevenir infecções por coronavírus.

Os pesquisadores identificaram três compostos presentes na Cannabis que podem ser eficientes para bloquear a entrada do coronavírus no organismo, que se concentram na chamada proteína spike do vírus. O doutor explica que esses compostos são “precursores não psicoativos encontrados na planta”, ou seja, não são capazes de alterar os reflexos, consciência e menos ainda deixar os pacientes “chapados”.

Atuando como professor de Química Medicinal no Linus Pauling Institute da Universidade Estadual do Oregon e primeiro autor do promissor estudo, ele explica que um dos maiores interesses de toda a equipe envolvida sempre foi descobrir produtos naturais com qualquer valor medicinal. E com a covid-19 não foi diferente, o maior objetivo era encontrar esses produtos, mas capazes de impedir o vírus de infectar as células ou reduzir sua capacidade transmissiva e de replicação.

Para isso, os pesquisadores decidiram que deveriam “atacar” o vírus no ponto inicial, quando entra na célula humana, o momento em que os nossos anticorpos também atacam o vírus. A primeira resposta a que queriam responder era se pequenas moléculas da natureza tinham a capacidade de se ligar à superfície do vírus, mais especificamente à sua proteína spike.

Sem receber nenhum financiamento governamental ou de instituições privadas para a pesquisa, eles decidiram prosseguir com o estudo, assim estabeleceram o princípio de que pequenas moléculas, nesse caso específico o cânhamo, tinham sim a plena capacidade de impedir a entrada do vírus nas células humanas.

Vale lembrar, apenas para ficar claro, que os cientistas não estão dizendo que fumar esses compostos ao invés de ingeri-los provoca o mesmo efeito, inclusive eles nem sequer fizeram os testes para saber, reforçando que o ácido canabidiólico é instável no calor. O doutor conta que, como o cânhamo é uma planta rodeada de tabus, muitos órgãos freiam as pesquisas, liberando o dinheiro para as grandes empresas farmacêuticas, principalmente.

Mesmo assim, o pesquisador acredita que sua descoberta e de outros doutores é um tipo importante de descoberta científica básica, que pode auxiliar em futuros estudos acerca do tema. O próximo passo seria conseguir ver esse estudo chegando aos testes em humanos, para investigar a dosagem correta e o hiato temporal entre uma e outra, sendo considerada segura.

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