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Comunidade LGBT não poderá fazer “demonstrações de afeto” em público durante a Copa do Mundo no Catar

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Falta menos de um ano para o início da Copa do Mundo Fifa de 2022, mas o país-sede da Copa ainda tem muitos assuntos humanitários para tratar.

O Catar foi selecionado, em 2018, pelo Comitê Executivo da Fifa, como o país que sediará a Copa do Mundo de 2022. Apesar disso, ainda existem diversas questões humanitárias a serem tratadas no país árabe. A principal delas diz respeito às leis anti-homossexualidade. Em entrevista ao site de notícias norte-americano CNN, o executivo-chefe do comitê organizador do torneio Nasser Al Khater afirmou que demonstrações afetivas de torcedores pertencentes à comunidade LGBTQIA+ não serão vistas com bons olhos. Porém reitera que os membros desse grupo terão liberdade e direito de viajar para o Catar a fim de assistir aos jogos da Copa do Mundo de Futebol.

O dirigente ainda afirma que o Catar e seus vizinhos são bastante conservadores, por isso ele pede que os torcedores respeitem essas “tradições”.  No início de novembro do ano passado (2021), o jogador australiano Josh Carvalho, o único da primeira divisão de futebol masculino a se assumir abertamente gay, alegou sentir insegurança e medo de jogar no emirado justamente por causa leis conservadoras do país, já que nesse país do Oriente Médio a homossexualidade é ilegal e punível com até três anos de prisão.

À CNN, quando perguntado sobre o medo do jogador australiano, Khater afirma que o país o recebe de braços abertos, até mesmo antes da Copa do Mundo, já que para ele o Catar é um país seguro e que ninguém deveria se sentir ameaçado ali. Apesar disso, reconhece que o país que ele representa aborda de forma rígida as demonstrações afetivas em espaço público, comparado a outros estados. 

Países como Arábia Saudita, Somália, Sudão e Irã, de origem islâmica, tratam a homossexualidade como um crime, cuja punição é a pena de morte.

Ainda conforme o site de notícias norte-americano, essa não é a primeira vez que as leis que criminalizam a comunidade LGBTQIA+ preocupam num grande e importante torneio de futebol. Na última Copa do Mundo da Fifa, em 2018, na Rússia, o Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido alarmou, antes da competição, que os membros da comunidade poderiam enfrentar um “risco significativo” em solo russo.

Além das questões de gênero e sexualidade, o Catar já enfrentou pressão em relação ao tratamento dos trabalhadores migrantes que estavam construindo os estádios para a Copa do Mundo na última década, já que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirmou que o Estado estava investigando e relatando de “forma inverídica” as mortes nos locais de trabalho. 

No Catar, a questão dos imigrantes é um problema de anos, já que segundo a agência de notícias CNN, no começo de 2022, Barun Ghimere, advogado de direitos humanos, afirmou que os imigrantes dos países mais pobres vão para o Catar em busca de melhores oportunidades de emprego. Além disso, ele afirma que a Copa do Mundo no país é uma taça sangrenta, já que ela seria formada pelo sangue de diversos trabalhadores inocentes que morreram em seus locais de trabalho durante a construção dos estádios para receber o  maior evento do futebol mundial. 

Por fim, Ghimire diz que a culpa não deve ser atribuída exclusivamente ao Catar, já que os outros governos vizinhos ao emirado também devem ser responsabilizados por não fornecer condições adequadas para seus trabalhadores. 

A OIT, em um relatório publicado em 2021, revela que pelo menos 50 trabalhadores do Catar morreram em 2020 em decorrência de acidentes de trabalho. Além disso, há lacunas que não foram preenchidas porque algumas instituições de coleta de dados do país dificultaram o processo, impedindo a organização de apresentar os números exatos de acidentes de trabalho ocorridos naquele período.

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