Comportamento

Conheça a história do queniano eleito melhor professor do mundo. Doa 80% do salário para a comunidade!

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Peter Tabichi venceu a disputa do “Global Teacher Prize”, levando para sua comunidade o prêmio de R$ 4,7 milhões.

Encontrar um sonho e conciliar o trabalho diário com o sentimento de preenchimento são uma conquista para poucos. Mesmo sabendo que são nossos objetivos que nos colocam em movimento, deixando a vida mais interessante, mais valiosa, nem sempre conseguimos encontrar aquilo que queremos, que nos traz gana.

Segundo reportagem da BBC, para Peter Tabichi, do Quênia, o único desejo era fazer com que sua comunidade tivesse acesso à educação. Muito elogiado por seus esforços e realizações em uma escola sem infraestrutura, com salas apinhadas de alunos e material escolar insuficiente, conquistar o “Global Teacher Prize” de 2019 foi quase uma façanha.

O prêmio elege o melhor professor do mundo, ao qual é entregue o valor de US$ 1 milhão (R$ 4,7 milhões) para aqueles que dão a vida pelas melhorias da educação para crianças carentes. Peter é membro da ordem religiosa franciscana, e mostrou, por suas aulas de ciências, que as crianças podem ser adultos de sucesso, principalmente se apostarem numa educação de boa qualidade.

O que muitos não sabem é que o professor não é apenas reconhecido por seus esforços dentro da sala de aula, fora ele também se mostra um destaque. No vilarejo de Pwani, ele opta por doar cerca de 80% de seu salário para ajudar a comunidade em tudo aquilo que precisar, apoiando principalmente as crianças da Escola Secundária Keriko Mixed Day.

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Direitos autorais: Reprodução/ arquivo pessoal

Ele chegou a dizer que “nem tudo é sobre dinheiro”, principalmente por trabalhar com famílias de extrema vulnerabilidade, sendo que muitos de seus alunos perderam um dos pais ou são completamente órfãos. Com o principal objetivo de que os estudantes ambicionem sempre mais, ao mesmo tempo, ele promove a ciência não apenas em seu país, mas em todo o continente.

Foram mais de 10 mil indicados de 179 países, incluindo a brasileira Debora Garofalo, que ensina matérias de tecnologia em uma região carente de São Paulo. Mas Tabichi acabou levando o prêmio, já que enfrenta desafios, como falta de material e professores.

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“A escola fica em uma área muito remota. A maioria dos estudantes vêm de famílias muito pobres. Até pagar o café da manhã é difícil. Eles não conseguem se concentrar, porque não se alimentaram o suficiente em casa”, contou o professor em entrevista publicada no site do prêmio.

As classes deveriam ter entre 35 e 40 alunos, mas acabam abrigando grupos de 70 ou 80 estudantes, o que, segundo o professor, aumenta a dificuldade de ensinar. Além disso, a falta de uma conexão de internet faz com que ele vá até um café para baixar os materiais necessários para suas aulas de ciências. E muitos dos seus alunos andam muitos quilômetros para que consigam chegar à escola.

Mesmo assim, Tabichi diz que está determinado a dar aos alunos uma chance de aprenderem sobre ciência e ampliarem seus horizontes. E os ensinamentos surtiram efeito, seus estudantes foram bem sucedidos em competições científicas nacionais e internacionais, incluindo um prêmio da Sociedade Real de Química do Reino Unido.

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Tabichi diz que parte do desafio tem sido persuadir a comunidade local a reconhecer o valor da educação, o que o leva a visitar famílias cujos filhos correm o risco de abandonar a escola. Correndo contra o tempo e a cultura local, ele busca mudar a mentalidade dos pais, principalmente aqueles que querem que as filhas se casem cedo, e tenta encorajá-los a deixar as meninas continuarem pensando no seu futuro profissional.

O professor também ensina técnicas de cultivo mais resistentes aos moradores dos arredores, já que a fome é uma realidade frequente na região. “Insegurança alimentar é um grande problema, então ensinar novos jeitos de plantar é uma questão de vida ou morte”, disse Peter Tabichi em entrevista à Fundação Varkey.

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