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Conheça o médico tibetano que sabe do que um paciente sofre a 10 metros de distância

Tulku Lobsang Rinpoche é um mestre budista com um trabalho muito forte nas áreas de medicina e astrologia tibetanos, além de muitas técnicas curativas. Nasceu nos Himalaias e estudou toda a vida em mosteiros, sempre se destacando por suas habilidades curativas.


Foi ensinado por uma série de mestres em Medicina e Astrologia e se tornou um dos maiores mestres em artes curativas de sua geração. Desde 2000, Tulku Lobsang viaja pelo mundo, transmitindo ensinamentos sobre medicina, budismo e astrologia. Ele é muito valorizado por suas habilidades e considerado um valioso mediador e transmissor da cultura e tradições budistas tibetanas.

Tulku tem uma habilidade muito especial: consegue saber do que um paciente sofre a 10 metros de distância. Em entrevista, ele explica melhor sobre suas estratégias. Confira a entrevista abaixo!

Quando um paciente chega para consulta, como o senhor sabe qual o problema?

Tulku: Olhando como ele se move, sua postura, seu olhar. Não é necessário que fale nem explique o que se passa. Um doutor de medicina tibetana experiente sabe do que sofre o paciente a 10 m de distância.



Mas o senhor também verifica seus pulsos.

Tulku: Sim, porque dessa maneira obtenho a informação que necessito sobre a saúde do paciente. Com a leitura do ritmo dos pulsos é possível diagnosticar cerca de 95% das enfermidades, inclusive psicológicas. A informação dada por eles é precisa como um computador. Para lê-los, é necessária muita experiência.


E depois, como realiza a cura?

Tulku: Com as mãos, o olhar e preparados de plantas e minerais.



Segundo a medicina tibetana, qual é a origem das doenças?

Tulku: Nossa ignorância.


Então, perdoe a minha, mas o que entender por ignorância?

Tulku: Ignorância é não saber que não sabe. Não ver com clareza. Quando vemos com clareza, não temos que pensar. Quando não vemos claramente, colocamos o pensamento para funcionar. E, quanto mais pensamos, mais ignorantes somos, mais confusão criamos.


Como posso ser menos ignorante?

Tulku: Vou ensinar um método muito simples: praticando a compaixão. É a maneira mais fácil de reduzir os pensamentos. E o amor. Se amamos alguém de verdade, se não o queremos só para nós, aumentamos a compaixão.


Que problemas percebe no Ocidente?

Tulku: O medo. O medo é o assassino do coração humano.


Por que?

Tulku: Porque, com medo, é impossível ser feliz e fazer felizes os outros.


Como enfrentar o medo?

Tulku: Com aceitação. O medo é resistência ao desconhecido.


Como médico, em que parte do corpo vê mais problemas?

Tulku: Na coluna, na parte baixa da coluna: as pessoas permanecem sentadas tempo demais na mesma posição. Com isso, tornam-se muito rígidas.


Temos muitos problemas.

Tulku: Acreditamos ter muitos problemas, mas, na realidade, nosso problema é que não os temos.


O que isso quer dizer?

Tulku: Que nos acostumamos a ter nossas necessidades básicas satisfeitas, de modo que qualquer pequena contrariedade nos parece um problema. Então, ativamos a mente e começamos a dar voltas e mais voltas sem conseguir solucioná-la.


Alguma recomendação?

Tulku: Se o problema tem solução, já não é um problema. Se não tem, também não.


E para o estresse?

Tulku: Para evitá-lo, é melhor estar louco. É uma piada. Mas não tão piada assim. Eu me refiro a ser ou parecer normal por fora e, por dentro, estar louco: é a melhor maneira de viver.


Que relação o senhor tem com sua mente?

Tulku: Sou uma pessoa normal, penso o tempo todo. Mas tenho a mente treinada. Isso quer dizer que não sigo meus pensamentos. Eles vêm, mas não afetam nem minha mente, nem meu coração.


O senhor ri muito?

Tulku: Quando alguém ri nos abre seu coração. Se você não abre seu coração, é impossível entender o humor. Quando rimos, tudo fica claro. Essa é a linguagem mais poderosa que nos conecta uns aos outros diretamente.


O senhor acaba de lançar um CD de mantras com base eletrônica, para o público ocidental.

Tulku: A música, os mantras e a energia do corpo são a mesma coisa. Como o riso, a música é um grande canal para nos conectar com o outro. Por meio dela, podemos nos abrir e nos transformar: assim, usamos a música em nossa tradição.


O que gostaria de ser quando ficar mais velho?

Tulku: Gostaria de estar preparado para a morte.


E mais nada?

Tulku: O resto não importa. A morte é o mais importante da vida. Creio que já estou preparado. Mas, antes da morte, devemos nos ocupar da vida. Cada momento é único. Se damos sentido à nossa vida, chegamos à morte com paz interior.


Aqui vivemos de costas para a morte.

Tulku: Vocês mantêm a morte em segredo. Até que chegará um dia em sua vida em que já não será um segredo: não será possível escondê-la.


E qual o sentido da vida?

Tulku: A vida tem sentido e não tem. Depende de quem você é. Se você realmente vive sua vida, então a vida tem sentido. Todos têm vida, mas nem todos a vivem. Todos temos direito a sermos felizes, mas temos que exercer esse direito. Do contrário, a vida não tem sentido.

Tulku possui uma visão muito poderosa sobre a vida e tudo o que envolve a nossa existência. Sua sabedoria é inspiradora e pode nos ajudar a trilhar um caminho mais poderoso, que nos leva a vidas mais significativas e conscientes.

Esperamos que essa mensagem ajude-o em sua caminhada!


Direitos autorais da imagem de capa: Nangten Menlang





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