Conquiste uma boa noite de sono



Além do óbvio benefício para o descanso físico e mental, hoje já se sabe que dormir estimula a criatividade, ajuda na solução de problemas e faz um tremendo bem para a memória. Estudos comprovam que as horas de sono também são imprescindíveis para que o cérebro desencadeie processos químicos que vão recompor ossos e tecidos, recuperar células, cicatrizar órgãos e a pele e liberar hormônios que vão regular, por exemplo, o crescimento e o controle de apetite.

Mas, infelizmente, não é todo mundo que consegue pregar os olhos com facilidade – dados indicam que quase metade da população brasileira dorme mal. Ok, mas, se sabemos que a falta de sono pode ser prejudicial, por que ainda tem tanta gente com dificuldade para dormir?

Questão de hábitos

Existem vários fatores que podem transformar a hora de descanso em um verdadeiro pesadelo. Entre os problemas mais sérios estão as doenças crônicas (cardiopatias, doenças renais, dores e distúrbios intrínsecos do sono). Os ruídos, a temperatura, a luminosidade do ambiente e outros “fatores externos” também podem atrapalhar o descanso de muita gente. Mas os principais motivos das noites mal dormidas dizem respeito aos nossos próprios maus hábitos.

Uma pesquisa feita por um grupo de neurologistas do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP indicou que 60% das causas de insônia são atribuídas ao fato de realizarmos tarefas ou procedimentos que, em vez de ajudar, atrapalham o descanso noturno, como o uso de estimulantes, o consumo de álcool e tranquilizantes, comer demais ou de menos na hora de deitar, assistir à TV no quarto, usar computador. Esses “pequenos pecados” mudam nosso compasso e acabam vindo à tona justamente na hora em que vamos para a cama.

Segundo o neurologista Alexandre Machado, do Hospital Santa Paula, de São Paulo, “é ideal que no fim do dia as pessoas tenham um ritmo mais lento, que não façam atividades físicas ou mentais estressantes”, diz Machado. “Internet à noite e o hábito de levar trabalho para casa são grandes inimigos de uma boa noite de sono”.

Dormindo com os mitos

Mas o que é uma noite bem dormida? “É aquela em que a pessoa não demora a adormecer, apresenta um sono sem grandes interrupções e acorda no dia seguinte sentindo-se descansada”, afirma a neurologista Anna Karla Smith, do Instituto do Sono, ligado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).



Há quem acorde renovado somente depois de dez horas na cama, outros se saciam com quatro horas. Portanto, a afirmação de que é preciso dormir oito horas seguidas a cada dia é um mito. Em seu livro Insomniac (“Insone”, sem edição no Brasil) a professora de literatura Gayle Greene, do Scripps College, nos Estados Unidos, revela que há formas diferentes na maneira de dormir das sociedades. Segundo Greene, até o advento da era industrial era muito comum na Europa se dividir a noite em “primeiro sono” e “segundo sono”. As pessoas iam para a cama logo depois de anoitecer, dormiam por quatro horas e, em seguida, acordavam para escrever, rezar, ou mesmo visitar os amigos. Passadas duas ou três horas, voltavam para a cama.

Em busca do sono perdido

Muitas pessoas também sofrem de sono leve. Basta um barulho ou uma luz para despertarem. “A profundidade do sono está relacionada ao tipo de ondas cerebrais apresentadas por cada pessoa. Quanto mais lentas elas forem, o sono tende a ser mais profundo”, afirma Anna Karla Smith.

O termômetro para saber se a noite passada foi boa é tentar perceber quanto seu corpo descansou. No dia seguinte, se você sentir sono, dificuldade de concentração e de memória, algo pode estar errado. Daí, vale ponderar se está fazendo alguma coisa errada, mantendo algum hábito que pode espantar o sono ou se o problema vale uma visita ao médico. E se lembrar do conselho de que quem dorme bem acorda melhor ainda.

 

Fonte: Revista Vida Simples






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