“A consciência é o melhor livro de moral e o que menos se consulta”.



“A consciência é o melhor livro de moral e o que menos se consulta”. – Blaise Pascal

É um fato conhecido que devemos sempre consultar nossa consciência acerca de nossas ações, no entanto, não é o que ocorre na grande maioria das vezes.

A consequência disso é, cada vez mais,a aversão à solidão, ou seja, o medo de se encarar, de mergulhar em si mesmo, uma vez que nossos atos não condizem com nossas convicções.

Deixamo-nos levar, principalmente, pelo senso coletivo; mesmo que ao submeter um ato ao crivo de nossa consciência, concluamos que ele é ilegítimo ou injusto, a partir do momento em que imaginamos que ele (o ato) seria aceito por um determinado grupo ou mesmo pela sociedade inteira, deixamos de lado a realidade da nossa consciência e permitimos que ele seja analisado pelo irreal senso coletivo.

O senso coletivo é irreal porque muitas vezes ele não representa a soma das individualidades das pessoas que fazem parte do grupo ou sociedade, mas apenas a marca irreal com que cada um dos envolvidos taxa o grupo e, portanto, os demais envolvidos.

Assim todas as morais individuais, que são reais, acabam por ser suprimidas por um senso coletivo irreal, criado como padrão de certo grupo por seus próprios integrantes, mesmo que isso não remeta à individualidade de cada componente, individualidade essa de cada um que é desconhecida pelos demais.

Explico. Sabemos muitas vezes da ilegitimidade de algum ato, talvez por ir contra as regras, ludibriar alguém, enganar, etc (veja que estamos tratando de todos os tipos de atos, capazes ou não de gerar danos a terceiros, além de realizados por uma pessoa ou um grupo). Por outro lado, apesar de declararmos a ilegitimidade de tal ato, mesmo assim, tendemos a praticá-lo, caso ele seja convalidado pelo senso do grupo ou sociedade do qual fazemos parte.

Ou seja, submetemos, ao fim, a análise de nossas ações a um senso coletivo, criado por nós, que representa não a soma das individualidades de cada componente daquele grupo, mas a forma como enxergamos o grupo como um todo.

Ora, nossa consciência deve ser a primeira e principal peneira para nossas ações, haja vista que quem realmente irá nos penalizar no futuro e nos tornar legítimos ou não do que possuímos não será ninguém além de nós mesmos.

Como sempre escutei de meu pai: “Não há nada melhor do que colocar a cabeça no travesseiro todas as noites e dormir tranquilamente”.



Quando nos deixamos levar por um senso coletivo, que é irreal, abrimos mão de nossa individualidade, o que geralmente causa efeitos devastadores em nosso psicológico, uma vez que não conseguimos, muitas vezes, praticar a auto convivência, sabendo que fomos contrários aos nossos próprios conceitos, o que gera uma constante fuga da solidão, que é tão comum hoje em dia.

Em suma, todos os nossos atos devem passar pelo crivo de nossa consciência, sob pena de sacrificarmos o nosso estado de espírito no presente e no futuro, tendo em vista que o que realmente importa em nossas vidas, ao final, não é exatamente o senso coletivo, mas a nossa própria consciência, que com certeza irá nos cobrar pelo deslize.

Estar em consonância com nossas próprias convicções auxilia em nossa auto convivência, o que é muito importante, porque tudo e todos são sempre transitórios em nossas vidas, exceto nós mesmos.

Como dizia Immanuel Kant: “A moral, propriamente dita, não é a doutrina que nos ensina como sermos felizes, mas como devemos tornar-nos dignos da felicidade.”.

Forte abraço e uma boa semana!

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Direitos autorais da imagem de capa: mavoimage / 123RF Imagens






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