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Consideradas extintas na caatinga, araras-azuis serão libertadas na Bahia em junho!

Foto: Reprodução
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Cuidadas em um centro de reabilitação, as araras-azuis estão sendo preparadas para voltar à natureza este ano.

De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), oito araras-azuis passaram pela reabilitação em um centro de reprodução construído na cidade de Curaçá, no norte da Bahia, e a previsão é que retornem à natureza no dia 11 de junho.

Durante os anos 2000, a arara-azul foi considerada como criticamente em perigo (CR), possivelmente extinta na natureza (EW), restando apenas indivíduos em cativeiro por causa das ações de caçadores e traficantes de animais. Desde então, os pesquisadores e grupos de ambientalistas se mobilizaram para tentar reintroduzir essas aves no seu hábitat.

A espécie, que é nativa da caatinga, bioma predominante na Bahia, voltará a povoar o céu do sertão brasileiro. Segundo o G1, o projeto é um acordo de cooperação técnica entre o ICMBio, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), e a ONG alemã Association for the Conservation of Threatend Parrots (ACTP).

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Direitos autorais: Reprodução Instagram / @actp_parrots

De acordo com o Gov.br, a reintrodução das araras-azuis no seu bioma de origem é um processo previsto pelo Plano de Ação Nacional (PAN) da Ararinha-Azul em conjunto com organizações internacionais que detinham algumas aves em cativeiro. No primeiro ciclo do plano, o principal resultado foi a multiplicação de animais em cativeiro, fato que aumenta a variabilidade genética das aves. Agora, no segundo ciclo, o objetivo é soltar algumas araras-azuis com suas “irmãs” de outra espécie, as maracanãs.

A chegada das araras vindas da Alemanha

No dia 3 de março de 2020, 52 exemplares vindos da Alemanha chegaram ao Brasil para serem preparados e introduzidos na natureza novamente. A data foi escolhida porque marca o Dia Internacional da Vida Selvagem, que celebra a fauna e a flora do planeta, bem como alerta sobre os perigos do tráfico de animais.

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No aeroporto de Petrolina (PE), eles foram recepcionados pela ICMBio e parceiros, além do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Enquanto as aves seguiam para o centro de reprodução em Curaçá, as autoridades concediam entrevista à imprensa. Segundo o Gov.br, Salles declarou: “A data de hoje representa um marco importante. Nós chegamos a essa situação de quase extinção por causa de atitudes indevidas, seja de quem praticou seja de quem deixou praticar esses atos que levaram à quase extinção da espécie, portanto a educação ambiental desenvolve um papel fundamental”.

Agora o objetivo é soltar mais araras-azuis nos próximos anos, da melhor maneira possível, e até que exista uma população estável da espécie.

Preparação para a chegada ao Brasil

Seguindo o protocolo sanitário brasileiro e o programa de cativeiro, ainda na Alemanha, a saúde das aves foi avaliada individualmente, constatando que todas estavam sadias, assim como não foram encontradas variedades patogênicas, os especialistas liberaram a viagem para o Brasil.

O processo de reintrodução na natureza

Ao longo do período no centro de reprodução, as ararinhas passam por vários processos importantes, como o de adaptação e treinamento para viverem livremente. Além disso, o local é propício para esses animais, pois oferece galhos, folhas e outras estruturas que auxiliam no processo gradativo de reintrodução da espécie na caatinga.

Com a adaptação ao clima, os técnicos também oferecem frutos e sementes da caatinga aos animais, de modo gradual, para quando forem soltos saberem do que se alimentar.

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A história das araras-azuis

A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) é uma espécie exclusiva da caatinga brasileira, que foi descoberta no século 19 pelo naturalista alemão Johann Baptist von Spix. A espécie é pouco populosa e ficou ainda mais reduzida com as ações ilegais do homem, como tráfico e degradação do bioma. A maioria das araras-azuis que restaram têm sido cuidadas em cativeiro e usadas para reprodução, de modo que um dia possam ser reintroduzidos na natureza com segurança.

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