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Contente-se com pouco

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Você está certo em fazer esforço nenhum. Eu mesmo nunca entendi essa necessidade gritante da maioria das pessoas em se dedicar a outras pessoas como se elas pudessem alterar seus eternos estados de solidão e insatisfação internas. Pode encostar a cabeça no sofá e continuar nesse seu relacionamento meia-boca, já que a justificativa é a de que as coisas estão até bem. Você não se desgasta à toa e nem precisa suar a camisa correndo atrás de algo que não importa. Continua levando esse relacionamento-mochila. Que não fede nem cheira. Que não machuca ninguém porque simplesmente não existe. Uma hora o outro vai decidir levantar do sofá e fazer as malas. Mas você não vai sentir nada – porque nunca sentiu. Não é tão ruim assim.



Se apaixonar é sempre uma péssima ideia. E você já sabe que os tais tipos perfeitos não existem. Faz bem em nunca apostar em nenhum relacionamento além da conta do motel. Não precisa passar em floricultura nenhuma ou fazer questão de levá-la em casa. Não precisa ter aquela expectativa furada da ligação do dia seguinte e muito menos do segundo ou terceiro beijos. Você não precisa sentir as dores abdominais de quem não sabe se a outra pessoa gosta ou não de você. Nem vai ficar com cara de bobo alegre enquanto escuta qualquer música. A conta do celular também vai se salvar das dezenas de horas jogadas fora enquanto vocês falam sobre nada – só pra ouvir a voz do outro.

Pense que você vai escapar do contexto fantástico dos relacionamentos. Realidade nua e crua vai continuar sendo a sua vivência de sempre. Sem aquele blá, blá, blá de que você vai encontrar alguém que revire o seu mundo. Sexo em cada porto, marinheiro! Você não vai precisar dividir a sua cama com ninguém, nem ter que abrir mão do seu conforto por conta de outra pessoa. Você não vai ter ninguém com a cabeça no seu peito e nem vai precisar dividir a companhia do sofá com pernas entrelaçadas enquanto assiste seus filmes. A sua casa vai ser sempre vazia – porque, apesar de qualquer relacionamento-mochila que você carregue nas costas, nunca vai ter peso. Você não vai precisar entender milhares de frases sem sentido durante uma TPM, muito menos se esforçar pra pedir desculpas de tê-la feito chorar. Você nunca vai saber do valor superestimado de sentir a admiração de quem se gosta nos lábios, meu amigo.

Em suma, meu caro, você vai descascar a fantasia que acompanha alguma paixão passageira ou amor de verão. Vai poder viver um jogo de descrença e minar toda e qualquer frustração que possa abatê-lo. Afinal, quem não quiser sofrer, que se isole. E dane-se se essa é justamente a parte boa de viver algo real. Você não precisa entrar de cabeça, nem mergulhar fundo no mar pra sentir as coisas. Você gosta do conforto, e esse conforto e praticidade só existem na superfície. Então fique por aí mesmo. Sem narrativa romântica ou surpresa inesperada que atinge o peito. Sem fazer amor com ninguém – porque isso não existe pra você. O Maravilhoso Mundo Das Coisas Que Não Precisam Ser Feitas é mais vantajoso, apesar de completamente descartável.


Contente-se com pouco, meu amigo. Você se priva das queimaduras de cigarro na pele… E continua vivendo como se a vida não passasse de uma folha em branco que não precisa ser preenchida.

 

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Escrito por Daniel Bovolento – Via Entre Todas as Coisas


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