Convivência e solidão: igualmente necessárias!

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Acredito na afirmação de que devemos aprender a gostar da própria companhia. Que não podemos buscar a felicidade do lado de fora, em outras pessoas.



Mas também acredito muito no trecho da famosa canção Wave de Jobin, quando diz “fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho” até porque não vivemos em uma ilha deserta e fomos criados para nos relacionar.

Se compararmos os dois conceitos eles parecem antagônicos, porém, gostar da própria companhia, ou ficar bem sozinho, não exclui a necessidade ou o desejo de ter um companheiro.

Podemos estar sozinhos, porém não precisamos ser sozinhos.

Também sabemos que, muitas vezes, mesmo ao lado de alguém é possível nos sentir sozinhos. É o que acontece quando convivemos com alguém cuja relação não é pautada no companheirismo, na compreensão e harmonia.


Porém, nós humanos somos mesmo muito estranhos e experts em complicar as coisas que deveriam ser muito simples.

Quando estamos em companhia daquela pessoa não sabemos aproveitar os prazeres que esses momentos nos proporcionam, somos inábeis e ficamos focados no que nos incomoda, naquilo que não apreciamos e desperdiçamos pequenas e até grandes alegrias possíveis e só vamos nos aperceber disso, quando, por alguma razão, acontece um distanciamento e nem é necessário que seja um rompimento.

Percebemos que poderíamos ter feito “vista grossa” para coisas que agora nos parece irrelevantes, poderíamos ter sido mais gentis, mais compreensivos, mais solidários. Poderíamos ter beijado mais, afagado mais, dito mais coisas agradáveis.


E a recíproca também é verdadeira, muitas vezes, poderíamos ter sido poupados de ser magoados, recebido maior atenção, maior respeito, mais carinho, mais solidariedade, afinal o relacionamento entre duas pessoas é composto de duas pessoas, como uma via de mão dupla, dar e receber.

Pequenas coisas do dia a dia as quais normalmente não valorizamos, que nem nos damos conta, fazem enorme falta quando ficamos impossibilitados de praticá-las, como por exemplo, assistir TV de mãos dadas, ficar mais em companhia do outro e menos em atividades solitárias dentro da própria casa onde habitam os dois.

Dar maior atenção aos assuntos de interesse do outro, não cometendo a indelicadeza de expressar indiferença ou desinteresse.

Isso tudo demonstra o quanto não sabemos conviver, o quanto não sabemos valorizar, não sabemos apreciar uma companhia que amamos, e nos deixamos levar pelas insignificâncias do dia a dia, esquecendo a troca que poderia persistir só nos dando conta quando, por alguma razão vemo-nos  a sós conosco mesmos.

Deveríamos aproveitar a oportunidade em que estamos apenas em nossa própria companhia para compreender melhor as falhas que cometemos na convivência com nossos companheiros e esperar que estes, quando em nossa ausência também sejam capazes de avaliar a própria conduta em relação a nós.

A vida passa depressa, e não podemos cometer a insanidade de menosprezar detalhes, de ser indiferente às questões do outro e ele às nossas.

Quando sozinhos devemos aproveitar o tempo para nos encontrar conosco, em muitos sentidos, avaliar condutas, voltar-se para o próprio interior o que só é possível nos momentos de solidão.

E quando acompanhados daqueles que amamos valorizar essa presença em nossas vidas, esquecer a arrogância, a mania de querer ter razão, de ter a posse da verdade e acenar com a bandeira branca da paz.

Nenhum de nós jamais será perfeito, no entanto, sempre poderemos oferecer algumas rosas ao invés de arrancá-las deixando apenas os espinhos, como na canção que cantava na igreja nos domingos de manhã da minha infância.

“Fica sempre um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas, nas mãos que sabem ser generosas… Dar ao próximo alegria parece coisa tão singela. Aos olhos de Deus, porém é das artes a mais bela.”

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Direitos autorais da imagem de capa: antonioguillem / 123RF Imagens

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