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Coruja gigante vista pela última vez há 150 anos reaparece na África

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Alguns cientistas britânicos, enquanto trabalhavam em Gana, conseguiram fotografar uma espécie de coruja que não era vista havia 150 anos.

O trabalho de campo de cientistas que lidam com o meio ambiente e biólogos envolve uma sucessão de encontros com animais de variadas espécies. Muitas vezes, esses profissionais nem sequer estão em busca de algum tipo específico, mas acabam dando de cara com algum que está ameaçado de extinção ou mesmo um ainda não catalogado.

Escondida por mais de 150 anos nas florestas tropicais do continente africano, a coruja-águia de Shelley conseguiu ser vista novamente pelo Dr. Joseph Tobias e sua equipe do Departamento de Ciências da Vida (Silwood Park). O grupo estava estudando os impactos biológicos do desenvolvimento agrícola em Gana, projeto financiado pelo governo do Reino Unido e pelo Dr. Robert Williams.

A coruja-águia de Shelley foi descrita pela primeira vez em 1872, a partir de um espécime obtido de um caçador local por Richard Bowdler Sharpe, um curador da coleção de pássaros do Museu de História Nacional de Londres (Inglaterra), e fundador do British Ornithologists’ Club. De acordo com reportagem da BBC, desde essa época não existiu nenhum relato oficial de avistamento da espécie em Gana e pouquíssimos em outras regiões do planeta.

Mesmo quando os observadores conseguiam fotografar, as imagens eram extremamente granuladas, e não eram muitas. As únicas que os especialistas relatam são de 1975, de um homem que estava atrás das grades no zoológico na Antuérpia (Bélgica) e uma mancha impossível de diferenciar, no Congo, em 2005.

Nas últimas décadas, alguns relatos de avistamentos ocasionais, de pessoas que acreditam ter conseguido ver ou ouvir brevemente a coruja-águia de Shelley em outras regiões, como África Ocidental e Central, da Libéria à Angola, têm surgido. Mesmo assim, são impossíveis de serem confirmados, o que transformou essa espécie de coruja em um “Santo Graal” para os observadores de pássaros do mundo inteiro.

2 Coruja Gigante vista pela ultima vez ha 150 anos reaparece na Africa

Direitos autorais: reprodução Twitter/ @robsrw

Tudo mudou em outubro deste ano, quando Dr. Tobias e Dr. Williams visitaram em Gana a floresta Atewa, onde, sem querer, incomodaram um enorme pássaro empoleirado durante o dia. Tobias conta que era tão grande, que eles imaginaram se tratar de uma águia imponente, mas por sorte o pássaro desceu um pouco mais nos galhos e eles puderam confirmar.

Assim que ergueram seus binóculos, eles contam que ficaram de queixo caído, pois nunca tinham avistado nenhuma outra coruja nas florestas tropicais do continente africano que fosse tão grande. Foram apenas 10 ou 15 segundos de contemplação, tempo suficiente para conseguir registrar as imagens para que a confirmação viesse depois. Os olhos pretos, o bico amarelo e o tamanho gigantesco fazem com que todas as demais espécies sejam excluídas das probabilidades.

Agora existem as dúvidas dos cientistas: como um predador tão grande conseguiu permanecer invisível por tanto tempo nessa grande faixa do continente? Isso faz com que muitos especulem seu paradeiro atual e as razões de isso ter ocorrido, principalmente por ser uma espécie classificada desde sempre como vulnerável à extinção.

Conseguir avistar a coruja gigante faz com que os cientistas e biólogos acreditem na existência de novas esperanças para a espécie. A floresta de Atewa está ameaçada pela extração ilegal de madeira e do minério bauxita, mas vários grupos ambientalistas têm feito lobby para que a área se torne um parque nacional.

Dr. Williams acredita que avistar a espécie também pode ajudar nesse processo, já que acaba lançando luz sobre a região, mostrando a importância da conservação da floresta para que a biodiversidade local permaneça. Para ele, a descoberta de uma “coruja rara e magnífica” pode ser vista com esperança, impulsionando os esforços para salvar uma das mais selvagens florestas de Gana.

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