Comportamento

“Dói demais ver as crianças morrendo sem poder ver os pais”, diz pediatra de UTI sobre covid-19

doi demais ver as criancas morrendo sem poder ver os pais diz pediatra de UTI sobre Covid 19

A pediatra desabafou sobre a realidade que tem experimentado nesta pandemia de covid-19.



Cinara Carneiro, uma pediatra intensivista, contou, em entrevista ao G1, as realidades que vem enfrentando todos os dias por conta da pandemia de covid-19.

Ela trabalha no Hospital Infantil Albert Sabin, em Fortaleza (Ceará), e todos os dias vê bebês, crianças e adolescentes sofrendo com o vírus, sem poder contar com a presença de mães e pais, por conta das restrições de segurança, e acaba confortando-os como pode.

Apesar de casos graves de covid-19 em crianças serem raros, segundo a pediatra, pacientes que apresentam problemas crônicos de saúde e comorbidades podem ir a óbito.


Cinara diz que dói ver uma criança morrendo sem ver os pais e que o luto dos familiares é, de certa forma, incompleto, porque eles não vivem nem veem as situações que os filhos passam dentro dos hospitais.

Ela contou de uma experiência que teve com um paciente de 14 anos, sem comorbidades, que precisou ser sedado por conta da covid-19.

Antes de adormecer, ele repetia: “Não quero que minha mãe sofra, não quero que minha mãe sofra.” Ela tentou acalmá-lo e lhe disse que estaria por perto quando ele acordasse, o que acabou não acontecendo.

O momento de contar para a mãe, que o jovem tentou poupar, de seu falecimento, foi algo muito difícil para ela.


Ela também teve que dar a notícia sobre o falecimento de uma criança de 2 anos, sem doenças prévias, vítima da covid-19. A menina desenvolveu encefalite e teve morte encefálica. Os pais ficaram revoltados, pois não sabiam que a covid pode levar a isso.

Nesse cenário tão triste, onde muitos filhos falecem sem se despedir dos pais, Cinara e os demais profissionais aproveitam para celebrar muito quando as crianças conseguem se recuperar e voltar para casa.

Ela conta que, especialmente agora, as recuperações são ainda mais celebradas e que os funcionários colocam balões na beira do berço, antes de entregá-los aos pais.

Como um apelo depois do aumento de casos pós-Ano-Novo e carnaval, a profissional diz que não se sabe como a covid afetará uma criança, por isso é necessário diminuir as chances de contágio, evitar aglomerações e esperar as vacinas, porque os pequenos precisam de nossos cuidados.


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