Bem-Estar e Saúde

Criança vence retinoblastoma graças a tratamento do SUS e apoio da família

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O menino precisou de um ano de tratamento para ser considerado curado pelos médicos e hoje, aos 9 anos, segue sem nenhum indício de que a doença tenha voltado.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) explica que o retinoblastoma é um tumor maligno nas células da retina, parte do olho responsável pela visão, podendo acometer um ou os dois olhos. Os especialistas reforçam que acontece, normalmente, até os 5 anos de idade e que um dos principais sinais de sua existência é um reflexo brilhante no olho afetado pelo câncer semelhante ao brilho dos olhos dos gatos quando recebem iluminação à noite.

O Inca ainda alerta que as crianças podem sentir dor e apresentar inchaços nos olhos, ficar estrábicas e perder a visão de um ou dos dois olhos. O exame para diagnosticar o câncer é feito por oftalmologistas especializados, que fazem o diagnóstico olhando o fundo do olho dos pacientes, com a pupila dilatada; não é indicada a biópsia nesses casos. Nos casos mais avançados, as crianças podem perder a visão ou ter o olho retirado em tratamento de radioterapia e/ou quimioterapia.

Mas o diagnóstico precoce é um dos principais fatores de cura, chegando a 98%. Desde que os jornalistas Tiago Leifert e Daiana Garbin usaram suas redes sociais para falar sobre o diagnóstico de retinoblastoma da filha Lua, o número de consultas oftalmológicas pediátricas aumentou, além de muitas famílias virem a público falar sobre suas experiências com a mesma doença nos filhos.

Esse é o caso de Michele de Faria Brito, de 45 anos, mãe de Arthur, que este ano completa 9 anos. O mesmo câncer acometeu o filho e foi percebido quando o bebê tinha apenas 4 meses, em 2013. Ela explica em reportagem do G1 que, sempre que tirava fotos do menino, percebia seus olhos brancos, mas precisou visitar oito médicos até que o diagnóstico correto viesse.

O médico capaz de reconhecer o problema de Arthur é um especialista do Inca, que iniciou todos os procedimentos necessários para alcançar a cura do pequeno. Não foi necessário remover nenhum de seus olhos, mas perdeu a visão do esquerdo e enfrentou um ano de tratamento intenso.

A mãe conta que, ao lado do marido, investigou a fundo a origem do tumor do filho, mas o Inca descartou qualquer conexão hereditária, afirmando que tinha sido uma mutação genética que aconteceu quando Michele ainda gestava Arthur. Especialistas concordam que é muito importante os pacientes serem interrogados em busca da mutação genética chamada RB1, para saber se existem outros casos na família.

Arthur fez a primeira quimioterapia antes mesmo de completar um ano, no Rio de Janeiro, e os pais contam que sabem a data exata de cada procedimento porque usaram um caderno onde anotavam tudo que acontecia com o menino. Esse diário de tratamento serviu como principal fonte de consulta na hora de falar com os médicos, informando com precisão os efeitos de cada remédio no bebê.

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Direitos autorais: Reprodução/ Arquivo pessoal.

Cerca de um ano depois da sua primeira sessão de quimioterapia, Arthur foi considerado curado pelos médicos, mas pelo meio do caminho alguns percalços ainda aconteceram. Ele acabou desenvolvendo trombose, e os pais precisaram aprender a aplicar injeções para que o filho fizesse um tratamento com heparina.

Michele acredita que uma das melhores recomendações que pode dar às famílias que estão passando por momentos similares, como Tiago e Daiana, é justamente a adoção de um diário de tratamento, acompanhando cada etapa de cada batalha. Isso pode dar mais segurança aos pais e mensurar os avanços do tratamento.

Hoje, considerado curado do retinoblastoma, Arthur visita um médico regularmente.


*Nota: As informações e sugestões contidas neste artigo têm caráter meramente informativo, elas não substituem o aconselhamento e acompanhamento de médicos e outros especialistas.

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