Reflexão

Criançafobia: quando os adultos se sentem incomodados com crianças

Capa Criancafobia quando os adultos se sentem incomodados com criancas

É compreensível que alguns adultos não queiram conviver diretamente com crianças, mas existe uma linha tênue entre isso e falta de respeito aos pequenos!



Você certamente conhece alguém que não quer ter filhos, isso se essa pessoa não for você mesma! Uma escolha cada vez mais em voga. Com os avanços das discussões sobre maternidade e paternidade real e a responsabilidade que vem com o fato de influenciar na criação de um outro ser humano, cada vez mais homens e mulheres têm sido mais francos sobre sua escolha de não ter filhos, embora para eles essas palavras tenham um peso muito maior: sim, em pleno século 21, ainda existe toda uma horda pronta para apontar o dedo para uma mulher que não quer ser mãe e chamá-lo de egoísta e incompleta. Como se fosse preciso a procriação para validar nossa existência como mulheres.

No entanto, isso não quer dizer que toda pessoa que opta por não ter filhos queira viver sem contato com os pequenos! Várias dessas pessoas podem se tornar excelentes tios, ajudando os pais e mães, aliviando um pouco sua carga.

Porém, vemos cada vez mais – principalmente nas redes sociais – o surgimento de pessoas que se dizem “anticrianças” ou até mesmo que sofrem de “criançafobia”, palavras criadas para designar pessoas que não suportam sequer a presença de crianças em um ambiente!


Por mais insano que possa parecer, essas pessoas já se juntaram até mesmo para tentar instituir locais que sejam “livres de crianças”! Um movimento estrangeiro, o “childfree”, visa barrar a entrada de crianças em locais comerciais. Já que eles optaram por não ter filhos, agora querem achar uma forma de não ser importunados pelos pequenos em local algum.

E muito do que eles chamam de “importunação” que as crianças fazem nada mais é do que atitudes normais e esperadas para a idade delas. Parece que alguns adultos crescem e se esquecem que não nascemos grudados aos nossos smartphones em silêncio e que é normal para alguém chorar, gritar, rir alto, seja criança ou não. Felizmente, a Constituição brasileira não permite que nenhuma parcela de público seja excluída de atendimento, quer sejam idosos, portadores de deficiências ou crianças.

Existe uma grande diferença entre optar por não ter filhos e ser alguém que não suporta crianças. Se não puder seguir pela linha da empatia pelo seu passado — de lembrar que um dia você também foi uma criança, que precisava de atenção e cuidado —, essas pessoas “childfree” precisam entender pelo menos que estão em desvantagem numérica.

Pois é, meu querido amigo ou amiga, você pode tentar o quanto for, organizar-se em grupos, fazer reivindicações, mas uma coisa é fato: sempre existirão várias crianças na sociedade e você vai ter de conviver com elas.


Já está mais do que na hora de tratarmos os pequenos como cidadãos completos, que precisam de um pouco mais de nossa atenção, mas que têm direito de ocupar espaços, tal qual qualquer adulto.

Além do que limitar a presença de crianças em áreas comerciais, como shoppings, cinemas e restaurantes, é limitar a presença de famílias nesses locais, principalmente as mães. Em um mundo onde se ouve apenas o apelo de quem quer que a sua escolha por não gerar crianças impacte todo o mundo, excluiremos as mulheres que criam a nova geração que irá nos liderar um dia.

Crianças merecem tanto respeito quando as pessoas que decidiram que não queriam tê-las! Uma sociedade que é “anticriança” fecha suas portas para o novo e perde de ver crescer as mãos que remodelarão nossa história no futuro.

Já existem diversos locais onde o acesso aos pequenos é negado, como bares, casas de show e boates. Esses são os únicos locais onde você não deve encontrar uma criança, ou seja, você pode vê-las em todos os demais lugares.


Um conselho? Acostumar-se e respeitar!

Crianças correm. Crianças fazem barulho. Crianças choram. Crianças vivem intensamente.

Uma pena que diversos adultos tenham se esquecido disso.


Carta para a minha mãe que está no céu: um amor além da vida!

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