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Cristal, índigo, violeta: as cores da nova era!

Já se vão mais de duas décadas que trabalho com crianças. Como educadora, sou testemunha ocular das modificações que o tempo faz nos usos e costumes da infância.

Tive a grata oportunidade de conviver longos períodos com crianças mais do que especiais. Isso foi no início dos anos 90, um período em que era útil segregá-las nas instituições. Não havia uma legislação específica que as amparasse em seus direitos, menos ainda habilitação para o profissional da área.


Munida de compaixão, eu assumi cada oportunidade como presente divino para aperfeiçoar minhas habilidades.

Na verdade, pude realizar uma viagem nos mecanismos de percepção da mente para suprir a falta de um dos sentidos. No decorrer desse trajeto, descobri a delicadeza com que as crianças especiais agem para a conquista da compreensão do mundo externo. Havia uma magia presente em cada descoberta.

Cada aquisição de habilidade era comemorada com vivo entusiasmo. Era como se estivessem galgando os degraus da “normalização”.

Por minha vez, aproveitava o momento para realizar o trajeto inverso, adentrando o universo oculto do nosso interior. A sinestesia ganhava contornos antes nunca experimentados. Haja gratidão para cobrir esses momentos únicos!


O tempo traz mudanças em todos os setores da existência humana. Crianças portadoras de alguma deficiência e com o potencial cognitivo preservado são absorvidas pelas salas regulares. Quando são devidamente acolhidas, toda a turma ganha.

Surge então uma geração com habilidades mais solidárias, capazes de cooperar e aprender com as diferenças. A isso chamam de “aprender a conviver”.

Neste bojo das peculiaridades infantis, observo também que algumas crianças apresentam potencial inato, de responsabilidade para questões ambientais, posturas inusitadas no tocante à qualidade da alimentação.

Necessidades e habilidades especiais se misturam e compõem o caleidoscópio da infância atual. Dois extremos que nos convidam diariamente a alavancar nossa percepção.


O conceito de humanidade há que expandir na medida que nos propomos a aprender a conviver.

O vir a ser da nossa infância está diretamente ligado à habilidade de conjugar paciência às múltiplas possibilidades que a convivência nos proporciona.

A paciência é a chave que abre a porta de acesso à nova era, mas só o amor é capaz de promover a edificação das vias de relacionamento entre as diferenças humanas.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123RF / javiindy





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