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Crônica de um amor não vivido

Sabe o que dói mais de você ter decidido partir tão cedo? Não é ter que apagar o seu cheiro do meu travesseiro, nem devolver aquele livro que você tinha me emprestado, nem mesmo esquecer as nossas risadas, o bom papo, o primeiro encontro ou o último beijo.



O que dói mais é o que a gente não viveu.

O que dói mais é o que você não chegou a descobrir sobre mim mesma, é o que você não conheceu.  Você ainda não sabe que eu costumo cantar bem alto sozinha no carro quando estou a caminho do trabalho de um jeito displicente e contagiante. Você não chegou a ver a minha camisola preferida, aquela que não é tão sexy quanto a de cetim, mas me deixa com um ar de mulher que quer ser protegida, abraçada, que combina perfeitamente com manhãs chuvosas de domingo.

Você não recebeu de presente aquele vinil que tanto procurava e que eu, numa dessas andanças da vida, teria encontrado por acaso e comprado pra você. Você não chegou a usufruir dos meus cuidados quando voltasse gripado depois de uma ida à praia num final de semana de inverno.

Você não descobriu como eu, às vezes no meio de uma gargalhada, faço um barulho engraçado que faria com que você sempre caísse em risos junto comigo.


Você não viu como eu decoraria metade das canções do teu artista preferido para te acompanhar no show e curtir como se já escutasse de toda vida.

Você não chegou a perceber como os nossos sonhos se cruzavam em determinado ponto do caminho e iam ao encontro do mesmo futuro.


Você não percebeu que teríamos pelo menos mais dois verões e um inverno para conhecer tudo que a gente precisava conhecer um sobre o outro.

Você não viu que se não tivesse partido tão cedo talvez tivesse conhecido as coisas que mais amaria em mim, talvez decidisse ficar um pouco mais, talvez tivesse vivido um grande amor.

 

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Patrícia Born (Blog Pessoal: Parafraseando)pefil

Gaúcha, morando no Rio por opção. Escreve porque já fala demais sozinha.

Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

Acredita que a maior experiência que o homem pode ter é sair pelo mundo para ver tudo

com os seus próprios olhos. Para as dores da alma: um ombro amigo e um banho de mar.

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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