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A cura vem de dentro. A gente só se cura quando se permite ser curado!

Fiz em mim uma faxina e encontrei no meu umbigo. O meu próprio inimigo, que adoece na rotina. (Flaira Ferro, em Me Curar de Mim)


Está tudo certo. Eu sei, nem sempre é tão simples assim acreditar ou aceitar determinadas situações que acontecem na nossa vida. É como se, de repente, o mundo o colocasse do avesso, revirasse todas as gavetas, trocasse todas as suas certezas de lugar. Eu sei. Também já passei por isso.

O coração aperta, parece ficar cada vez mais pequenininho, falta-lhe o ar, a garganta sufoca, nenhuma luzinha no fim do túnel. Dá uma angústia danada, uma vontade de sumir, de abandonar o barco, pular na água, parar de remar. Eu sei. Não há frase de efeito que dê conta. Nem livro de autoajuda, visualização, meditação, nada disso. A vontade é de dar um grito bem alto e mandar todo mundo praquele lugar. Eu sei. Às vezes é difícil mesmo.

Está tudo bem

Você não precisa se envergonhar do que sente, como se fosse crime não sentir bonito o tempo todo. Nem sempre a vida se apresenta de uma maneira bonita pra gente, por mais que treinemos os olhos para olhar enxergando uma beleza que às vezes quase ninguém vê. Nem sempre é fácil. Eu sei. Ser otimista dá um trabalho danado, principalmente quando o mundo parece ecoar um grito de pessimismo sem fim. “Tá tudo errado”, é o que dizem. “O mundo vai de mal a pior”, repetem. E a gente tentando ver flores onde dizem só existir espinhos. Eu sei. Às vezes parece missão impossível mesmo.



Entrego

Há coisas na vida que independem da nossa vontade. Que vão acontecer ou deixar de acontecer mesmo diante de todos os nossos esforços, de todos os nossos pedidos, de toda essa nossa mania de querer controlar o incontrolável. Sim, eu sei. Não ter o controle de tudo nos coloca numa posição de vulnerabilidade imensa diante da vida. E estar vulnerável não é confortável. Você deseja tanto uma coisa, e ela acontece exatamente de um jeito contrário ao que você pediu. É pra tirar qualquer um do sério, não é mesmo? Mas sigo acreditando que tem que ter uma razão maior pra ser assim e não ser de outro jeito. Talvez um livramento. Já pensou se tudo o que a gente pedisse acontece de fato? Avalie o que você já pediu na vida: tem certeza de que tudo o que você já desejou com tanta força continua fazendo sentido hoje?


Aceito

A vida sabe o que faz. Eu sei. Pode parecer conformismo, mas não é. Também já lutei demais – e ainda luto – contra qualquer coisa que me inspire revolta ou indignação. Mas há coisas que não estão sob o nosso controle, lembra? E aceitar isso, por mais complicado e difícil e maluco que pareça, vai te libertar de alguma forma dessa mania de querer mudar o mundo sem se mudar primeiro. Não adianta. Deixamos de fazer tantas e tantas coisas por medo do desamor que, às vezes, sem perceber, lá estamos nós querendo mudar o outro quando o outro não quer ser mudado. Ou quando nós mesmos ainda precisamos trabalhar uma série de coisas dentro de nós.



Confio.

Nada é por acaso. Eu sei, discurso batido esse, mas, se você for parar pra pensar, vai perceber que as coisas não acontecem com você, mas pra você, porque há propósito em todos os caminhos da vida. Eu sei. Quer coisa mais difícil do que confiar? Confiar exige da gente um otimismo imenso, porque muitas vezes o que a vida vai te propor é fechar os olhos e se jogar de uma altura cavalar sem saber o que tem lá embaixo. E agradecer antes mesmo do pulo. Difícil, né? Principalmente quando a nossa tendência é a de sempre achar que se jogar de cabeça em qualquer coisa implica numa queda meteórica. É aquela velha história: quanto maior a altura, maior o tombo. Mas, poxa, por que sempre pensar no pior? Por que sempre pensar no risco como um atestado de tragédia? Pode ser que você ganhe asas em vez de se lascar no chão. Pode ser que o salto te mostre o quanto você era muito mais capaz do que imaginava. Eu sei. Mais uma vez o otimismo. Mas se você não confiar em você e nas leis do Universo, como é que você quer que as outras pessoas confiem e que o Universo atue a seu favor?


Agradeço.

A cada dia acredito mais que tudo o que acontece com a gente é uma verdadeira bênção. Eu sei. Como é que uma tragédia horrorosa é uma bênção, você pode estar se perguntando. E eu me pergunto também. Muitas vezes. Mas quando vejo pessoas saindo de cada coisa que a gente nem consegue imaginar ainda mais fortalecidas, mais maduras, mais conscientes, mais empoderadas, eu vejo o quanto o caminho de cada um, por mais que as linhas pareçam tão tortas às vezes, oferece exatamente aquilo que a pessoa precisa pra evoluir nessa vida. A cada dia que passa percebo o quanto a gratidão é um verdadeiro portal para as ressignificações e a abundância. Pode parecer clichê, eu sei, mas quanto mais você agradece, mais a vida tende a ser generosa e carinhosa com você, mesmo que os caminhos que tenham te trazido para o momento do agora tenham sido longos, difíceis, doídos, cheios de pedras.

A gratidão é cura. E a gente só se cura quando se permite ser curado.

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Direitos autorais da imagem de capa: ababaka / 123RF Imagens





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