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“Pessoa íntegra.” Damares sai em defesa de ministro suspeito de corrupção

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A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos afirmou que Milton Ribeiro é o seu pastor, e acredita em sua inocência.

No dia 24 de março, a ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou que um inquérito fosse aberto para investigar se o ministro da Educação, Milton Ribeiro, realmente favoreceu prefeituras ligadas aos pastores evangélicos Gilmar Santos e Arilton Moura, a pedidos de Jair Bolsonaro (PL).

Quem solicitou o pedido foi o procurador-geral da República, Augusto Aras, depois de se deparar com a série de reportagens feitas pela Folha de S. Paulo sobre o vazamento de áudios em que o ministro afirma justamente esse favorecimento. Na sua decisão, Carmen Lúcia afirmou que a gravidade do caso não pode ser contestada, e que precisa ser objeto de investigação imediata “sobre os fatos e suas consequências, incluídas as penais”.

Milton Ribeiro é suspeito de ter montado um gabinete paralelo com outros pastores na pasta, e disse em áudio que a prioridade do MEC são as prefeituras que mais precisam e, em seguida, todos aqueles que seriam amigos do pastor Gilmar. Além disso, esse seria um pedido feito diretamente pelo presidente da República.

Segundo reportagem do Metrópoles, a ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, afirmou que mantém o apoio a Milton Ribeiro, e assim que foi questionada sobre os motivos, disse que ele era uma “pessoa amada e honrada”. De acordo com ela, caso algum assessor tenha “aprontado” algo na pasta, merece ser punido, mas não o ministro, que afirma ser um “grande ser humano” e seu pastor.

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Direitos autorais: Reprodução/ Palácio do Planalto

Os jornalistas perguntaram por que o ministro declarou em áudios priorizar os pastores acusados de pedir propina, mas Damares preferiu desconversar. Ela disse novamente que as pessoas envolvidas precisam ser responsabilizadas, caso seja confirmado, mas que não poderiam ter usado o nome de “uma pessoa íntegra como o ministro Milton”.

Depois de passar cerca de quatro dias sem se manifestar sobre o assunto, o presidente Jair Bolsonaro falou em sua live sobre o escândalo envolvendo o ministro da Educação. Enquanto lia um papel à sua frente, o chefe do executivo disse que a Controladoria-Geral da União (CGU) já tinha recebido, em 27 de agosto do ano passado, documentos enviados pelo ministro da Educação fazendo duas denúncias sobre possíveis irregularidades do ministério.

Segundo Bolsonaro, o caso que está na mídia seria esta suposta denúncia. Ele ainda afirmou que a Controladoria investigou essa denúncia por seis meses e teria chegado à conclusão de que nenhum servidor público estava envolvido. O presidente ainda disse que o caso teria sido resolvido no dia 3 de março, e que as informações teriam sido enviadas à Polícia Federal.

O chefe do executivo afirmou que isso demonstrava que em seu governo supostamente não existiria corrupção, já que eles estavam “sempre um passo à frente”. Bolsonaro disse que eles não podiam acusar ninguém sem provas, caso contrário estaria apenas indo contra a pessoa, sem saber se a informação era verdadeira ou não.

O “gabinete paralelo” denunciado na semana passada por várias reportagens, coloca o ministro Milton Ribeiro e dois pastores evangélicos, Arilton Moura e Gilmar Santos como pivôs do escândalo. Os dois religiosos não possuem cargo oficial no governo, mas agem como lobistas para liberação de verbas para prefeituras.

Um áudio divulgado no dia 21 mostra o ministro da Educação falando abertamente sobre a prioridade da pasta, que pretende favorecer prefeitos “amigos de Gilmar”, e que esse era um pedido especial do presidente da República, que também é próximo dos dois pastores envolvidos no caso.

Segundo outra reportagem, os prefeitos de Bonfinópolis e de Boa Esperança do Sul afirmam que o ministro da Educação disse que aprovaria projetos para os municípios com a condição de que eles comprassem Bíblias ou depositassem dinheiro para ajudar a igreja. Uma secretária que pediu para não ser identificada, disse que estava em um evento em Nova Odessa com a participação do ministro, e que o cenário era “desconfortável e escandaloso”.

A secretária afirmou que as mesas onde que estavam profissionais do Fundo de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do MEC, estavam cheias de Bíblias. O pastor Moura ainda disse durante sua fala que eles estavam ali porque queriam evangelizar a população. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) proíbe qualquer forma de tentar converter pessoas.

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