Comportamento

Dan Stulbach conta que teve infância marcada pela “masculinidade tóxica”: “Não podia chorar”

1 capa Dan Stulbach conta que teve infancia marcada pela masculinidade toxica Nao podia chorar

Discutindo caminhos para que a masculinidade tóxica possa ser desconstruída, o ator acredita que as crianças e adolescentes são prejudicados por esse tipo de comportamento.



A sociedade em que vivemos possui conjuntos de normas e regras que os cidadãos tentam seguir e reproduzir em suas relações, mas que nem sempre são boas ou fazem bem. Nos últimos anos, o conceito “masculinidade tóxica” mostra justamente quando alguns ideais de como os homens devem ser e agir prejudicam a saúde e o bem-estar deles e de quem está próximo.

Esse conjunto de regras de conduta e comportamento masculinos pode fazer com que homens fiquem com a saúde mental sobrecarregada, revelando um comportamento muito mais violento e agressivo do que as outras pessoas.

A masculinidade tóxica é capaz de afetar muitas pessoas dentro de uma equação, como mulheres, crianças e até eles mesmos, apresentando dificuldade para demonstrar emoções e se isolando da comunidade conforme vai envelhecendo, já que precisam passar a ideia de autonomia e independência.


Um estudo publicado em março do ano passado, na edição 83 da Sex Roles, mostra que esse conjunto de estereótipos nocivos acerca da masculinidade, como suprimir emoções, ser provedor, demonstrar controle, ciúme e autonomia, é extremamente prejudicial aos próprios homens.

Correndo o risco de se isolar completamente na velhice, a pesquisa mostra que os que apoiavam a masculinidade hegemônica tinham mais chances de encerrar a vida sozinhos, sem amigos próximos e confidentes, do que o oposto.

Além de impactar na qualidade de vida deles, também se revela uma bomba-relógio principalmente para as mulheres, as maiores vítimas dos homens em casos de violência doméstica e feminicídio. Tratadas com desprezo e agressividade, muitas perdem a vida ao cruzar seu caminho com o de homens que reproduzem uma masculinidade que apenas fere quem quer que esteja em volta.

Durante o Power Trip Summit, evento promovido pela Marie Claire, o ator e produtor Dan Stulbach participou de uma mesa que buscava caminhos para lidar com a masculinidade tóxica. Em construções muito sensíveis sobre sua vida pessoal, o artista refletiu sobre os problemas que crianças e adolescentes encontram quando reproduzem comportamentos violentos e agressivos.


1 2 Dan Stulbach conta que teve infancia marcada pela masculinidade toxica Nao podia chorar

Direitos autorais: reprodução Instagram/@danstulbach.

Dan conta que desde a infância sentia a “presença da masculinidade tóxica”, e revela que nunca conseguiu falar com o pai sobre sexo ou mesmo assuntos da vida. Precisando se comportar como um “menino-homem” dentro de uma sociedade machista, foi alimentando estereótipos nocivos à saúde física e emocional, como não chorar, brigar em cada jogo de futebol, submergindo toda a sua sensibilidade.

Quando um homem sente que não se encaixa no padrão apresentado, tem muitas dúvidas sobre como expressar sua masculinidade, se não for daquela maneira específica. Para Dan, nessas ocasiões, eles se sentem mais fragilizados, em agonia mas, ao mesmo tempo, sem conseguir escapar dela.

Enquanto abria o jogo sobre sua infância, o ator também explicou que, mesmo sabendo que existia a presença da masculinidade tóxica, ainda assim só foi conhecer o termo já adulto, há bem pouco tempo. Sem conseguir falar com o pai sobre sexo, sobre a vida, sentindo que precisava suprimir seus sentimentos, sem poder chorar, a forma como agia ou deixava de agir dizia muito sobre o tipo de masculinidade que ele estava exercendo, sendo uma vítima dentro do próprio sistema machista.


1 3 Dan Stulbach conta que teve infancia marcada pela masculinidade toxica Nao podia chorar

Direitos autorais: reprodução Instagram/@danstulbach.

Mesmo sendo considerado um assunto muito difícil, Dan acredita que é preciso discutir o termo e os impactos da masculinidade tóxica com homens, incluindo os amigos próximos. Muito atento às coisas por que passou e que tem consciência que não lhe fizeram bem, o artista explica que a forma como educa Davi, seu filho de 7 anos, é diferente.

Em busca de uma visão de mundo mais ampla, ele conta que quer mostrar ao menino que existem outras possibilidades da existência masculina que não envolvam brigas e violência, e que todos podem e devem chorar, principalmente aqueles que passam muito tempo tentando suprimir essa emoção.

Segundo Dan, o teatro lhe proporcionou diversas possibilidades comportamentais e de expressão pessoal, coisas que ele deseja apresentar ao filho. O ator finaliza dizendo que Davi precisa compreender que pode ser quem ele é, independentemente de como for, e que será aceito por ele. Principalmente, porque aceitar o próximo da maneira como se é não deve ser encarado como um favor, e sim como obrigação, caso contrário, chama-se discriminação.


Mãe se recusa a mandar filha bebê para escola e justifica: “A comida é horrível”

Artigo Anterior

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.