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Das metamorfoses da vida e o tanto borboletas que podemos ser…

Ei, você que não me conhece, talvez você me veja andando por aí com um par de chinelos nos pés. É bem provável que você me encontre pelas ruas com a mesma calça que usei na segunda-feira, com os mesmos brincos do carinha que vende sua arte na praia e na praça. É bem provável!



Talvez você me veja de cabelo preso de qualquer forma num coque desarranjado ou num rabo de cavalo alto. Talvez você me veja de cabelo solto, como ele é ao natural com suas ondulações e suas instabilidades. Assim ele é.

É bem provável que você me veja em festa de casamento com o mesmo vestido em que fui àquela formatura do outro ano. Esteja certo que o sapato será o mesmo também! É que não consigo me meter dentro de uma roupa que não converse comigo. Não consigo fingir ser outra pessoa que não eu mesma. Aí, então, eu estaria me fantasiando de algum personagem e isso é para novela, teatro, cinema, mas não para a vida real.

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Nem meu interesse, nem meu bolso combinam com peças caríssimas da exclusividade de alguma loja de grife. Já sou exclusiva por ser eu mesma e não preciso gastar uma fortuna para provar isso para ninguém. Sou do tipo de pessoa que se aboleta nas filas de liquidações e nem se importa se mais cinquenta pessoas têm uma blusa igualzinha àquela. Me importa muito mais o que minha alma está vestindo!


Talvez você me encontre com o aparelho móvel nos dentes, com as unhas sem esmalte nenhum. Ou talvez, não! Pode ser que você me encontre com aquele vermelho cereja que eu adoro, nos lábios e nas unhas! Mas não importa. É bem provável que minhas mãos estejam melecadas de sorvete ou de terra. Eu posso estar me refrescando numa tarde de calor ou plantando flores nos canteiros da cidade.

Não se oriente pelo que você pensa que sou e nem pela ideia pronta que você tem de mim. Não faça isso! Eu mesma tenho que me reinventar a cada novo amanhecer! Não sou uma só e não posso (e nem devo) viver sempre em única linha reta. Adoro curvas. Por falar nisso, talvez você me encontre comendo uma salada saborosa, mas é mais provável que você me encontre devorando um churros com o doce de leite escorrendo pelo queixo ou atacando uma pizza sem a menor culpa. Por isso, você pode me encontrar com o corpo mais enxuto e pode, de repente, descobrir que eu engordei. E isso pouco importa! Minha alma nem sabe o que esses quilogramas querem dizer (e eles querem mesmo dizer alguma coisa, de fato?).


Talvez você me encontre sorrindo e falando sozinha enquanto escuto música com meus velhos fones de ouvido no caminho de volta para casa. Talvez me encontre passeando com meus cachorros e conversando com eles sobre os assuntos mais variados. Talvez você me veja quase chorando enquanto chuto o vento e ele – sem rancor – me faz uns carinhos de leve. Talvez você nem nunca me encontre porque talvez nossas ruas nunca se cruzem.

Pode ser que você me veja na beira da piscina, ensaiando um mergulho. Mas é bem mais provável que você me veja pegando impulso para dar um pulo de qualquer jeito na água. É ainda mais certo que eu dê uma barrigada daquelas com os pulos desajeitados que costumo arquitetar. Se eu estiver na praia, pode ser que você me encontre enfrentando as ondas de espuma até chegar àquelas que não quebram mais e que fazem a gente subir e descer, dando um friozinho bom na barriga. É bem provável que eu esteja lá. Mas você pode me encontrar também procurando conchinhas na areia ou trocando dinheiro com o moço das cangas para comprar um pastel e um milho.

Ei, você que não me conhece. Ei, você que pensa que me conhece. Ei, você também! Você que pensa que se conhece. Trate de não se permitir ser tão conhecido assim. A gente tem é que aprender a se desfazer dessas ideias prontas que as pessoas do mundo fazem da gente. Não somos caprichosas, dedicadas e estudiosas. Não somos malandras, namoradeiras e irresponsáveis. Não somos festeiras, rebeldes e descompromissadas. Acontece que não somos rótulos, somos pessoas! E pessoas vão se fazendo e se refazendo a cada dia que acordam e despertam para a vida (no sentido literal e no sentido figurado também).

Então, podemos ser estudiosas, namoradeiras e festeiras, tudo ao mesmo tempo, sem as restrições dos estereótipos. É que pessoas mudam de ideia e deixam amadurecer aquelas opiniões de ontem. Pessoas ficam chateadas hoje e fazem as pazes amanhã. Pessoas são boazinhas à tarde e deixam escapar alguma mentirinha à noite. Pessoas que não são assim estão longe de suas próprias humanidades.

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O importante é a gente ser pessoa que sabe dessa incompletude de ser humano. E aí é que a gente cresce. Aí é que a gente entende que pode estar toda maquiada numa manhã de tédio e que pode sair de cara lavada para a festa do melhor amigo. Aí é que a gente compreende que quando a gente sorri com os olhos, ninguém vai se importar se a gente está usando vestido da marca mais cara com um bocado de joias penduradas no pescoço ou se está de pé no chão com uma calça velha e uma blusa furada. É que quando a gente sorri com os olhos é a nossa alma que as pessoas conseguem ver. E a alma…a alma da gente está sempre vestindo algo deslumbrante!

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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