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De onde eu te conheço mesmo?

DE ONDE EU TE CONHEÇO MESMO FOTO DE CAPA

Para ler ouvindo Lamento Realengo – Nando Reis



Já foi paixão, já foi amor e agora é esquecimento. Duas pessoas que dividiram a cama em corpos que transpiravam o sal do sexo, rendidos ao cansaço do esforço mútuo em proporcionar o melhor de cada um para a outra parte deliciar-se na agridoce entrega do desejo.

Desejo esse que saía pelos poros, pela respiração ofegante e tantas vezes agonizante em cada pequena quase morte que culminava no ápice do delírio febril e obsceno enlaçados naqueles dois seres que dançavam um ballet visceral, entre pernas, braços, unhas, dentes e despudores.

Eram íntimos, conheciam-se tão bem que nem era preciso palavras para qualquer tipo de interpretação, os olhares se bastavam, a leitura da alma era clara e certeira. Senta aqui um pouco no sofá comigo, deixa eu te fazer um cafuné e pode chorar no meu colo que essa dor vai passar, ela dizia, ao vê-lo ao adentrar pela porta da sala, quando notava que o dia havia sido, no mínimo, extenuante.


DE ONDE EU TE CONHEÇO MESMO - FOTO 01

Menina, não vá para o computador agora não, vamos tomar uma, duas, três taças daquele Merlot que você adora e vamos ali para a nossa cama só meia horinha, você está tão linda hoje, mas prefiro te ver sem toda essa roupa – era a deixa dele para que ela tirasse os óculos de grau que lhe davam um ar pretencioso e que protagonizasse o papel de amante embriagada e sedutora.

Há quem diga que haviam nascido um para o outro, tamanha a cumplicidade e afeto compartilhados. Mas o tempo é o ceifador das mentiras escondidas e imperador das almas aflitas. E já não havia mais um casal, e sim duas pessoas distantes convivendo no mesmo espaço.

DE ONDE EU TE CONHEÇO MESMO FOTO 02


Ele havia mentido, tivera um, dois, três, ou sabe-se lá quantos mais casos fora do relacionamento, tornando-se réu confesso apenas daqueles onde a verdade era esfregada em sua cara. Ela, já estava cansada e deprimida demais para reivindicar o seu lugar, absteve-se, anulou-se.

Muitas vezes forjava um sono, ao perceber que ele chegara tarde, com as velhas desculpas dentro do bolso.  Acabaram-se os vinhos, os cafunés, o suor lascivo que se misturava à trama do lençol. Restaram apenas a partilha dos móveis, um advogado para cada lado e o sentimento quase fúnebre de “acho que te conheço de algum lugar, mas não me lembro de onde. ”

 


Você sente arrepios toda vez que escuta músicas? aqui está a razão!

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