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Deixa a vida me levar?

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Deixa a vida me levar, vida leva eu…



A frase de uma das mais famosas músicas do Zeca Pagodinho passa uma ideia tentadora de despreocupação, tranquilidade, graça, diversão, sombra e água fresca. Aparentemente, uma excelente forma de levar a vida. Quem não quer viver de forma mais leve?

Mas será que viver sem se importar em trabalhar para dar um rumo para a própria vida é realmente tão bom e gratificante assim? Sem críticas à música (que eu gosto muito, aliás), mas queria escrever uma reflexão sobre a questão “correr atrás da felicidade” versus “a felicidade vem até você” e lembrei deste refrão.

Quem acompanha o blog já deve ter percebido que aqui não defendo o pensamento “o segredo é não correr atrás das borboletas”, e sim falo sempre sobre a importância de batalhar pelos sonhos, acreditar e, principalmente, agir.


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É verdade que muitas coisas boas surgem na nossa vida inesperadamente, de surpresa. E também é certo que de vez em quando todo mundo precisa parar um pouco de se preocupar, esquecer tudo e relaxar, mas tornar isso um estilo de vida é outra história. Usar o “deixa a vida me levar” por pouco tempo como artifício para esvaziar a cabeça e recarregar as energias é uma boa ideia, mas entrar nessa e não sair mais é uma decisão bastante arriscada.

Esperar que a vida te leve para algum lugar e acreditar que a sua hora irá chegar sem você precisar fazer nada pode parecer ótimo no início. Nada de trabalho duro, cansaço, grandes esforços, dúvidas e escolhas difíceis. Todo mundo quer se livrar da parte ruim. Mas o tempo passa, e se tudo o que você fez ontem te trouxe para onde está hoje, a decisão de não tomar as rédeas da sua vida agora também apresentará suas consequências em algum momento no futuro. Momento este em que você vai perceber que toda essa folga e despreocupação teve um preço: você poderia ter feito mais e vivido muito mais. Então percebe que ter que trabalhar duro talvez não teria sido tão ruim assim, porque você está vendo que foi desta forma que as outras pessoas realizaram seus sonhos. E elas não se arrependem. Elas, na verdade, têm agora uma bela coleção de boas lembranças e histórias das quais se orgulham. E estão felizes. Sempre foram felizes.

Um dia, quando olhares para trás, verás que os dias mais belos foram aqueles em que lutaste. (Sigmund Freud)


As pessoas que vivem intensamente e que amam viver não nasceram assim. Elas construíram uma vida para ser amada e verdadeiramente vivida, porque não se conformaram em esperar e aceitar apenas o que viesse. O que, é claro, não quer dizer que você não deva se contentar com o que tem. Contentamento é completamente diferente de conformismo e acomodação. O primeiro é um sentimento que tem total relação com o presente. Os outros dois são atitudes de passividade que você escolhe ter em relação ao futuro. A zona de conforto não tem esse nome à toa. Ela é realmente muito confortável, e quanto mais você se acomodar nela mais difícil será de sair.

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Tomar as rédeas da própria vida e trabalhar pelos seus objetivos e sonhos para tornar sua vida cada vez melhor não significa se tornar um neurótico viciado em metas e obcecado pelo futuro, que se frustra quando não consegue concluir algo no prazo planejado.

O segredo é tratar com equilíbrio todos os tempos da sua vida. É preciso gostar de viver o presente e aproveitá-lo sem desespero pelo que virá, mas se importar também em pensar e agir pelo futuro. Tenho certeza de que você tem sonhos, vontades e também alguns descontentamentos com coisas que gostaria de mudar. É “deixando a vida te levar” que tudo isso será realizado? Com certeza não.


Quem quer uma vida com significado, emoção, sentimento, realizações e aventuras precisa levantar do sofá e começar a fazer, agir, criar, pensar, estudar, economizar, definir prioridades, passar algumas noites em claro, rever seus conceitos, correr atrás… e assim seguir durante toda a vida. E isso será um prazer, justamente porque você sabe o caminho que quer percorrer e onde sonha chegar.

Quem adota a filosofia “deixa a vida me levar” não tem resposta para a pergunta “para onde você está indo? ”, e se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Se você não é o tipo de pessoa que quer qualquer coisa, então seu lema definitivamente não é este.

Eu sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu, mas faço questão de decidir para onde a vida vai me levar.

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Para transportar essa reflexão para a sua vida, deixo algumas questões para você fazer a si mesmo:

  • Você está levando a sua vida para onde escolheu ou está esperando que ela teve leve para algum lugar que você não sabe qual é?
  • O que você fez no passado que te levou ao lugar e à situação em que está agora?

  • Passividade ou atividade: qual é (de verdade) o seu atual estilo de vida?
  • Quais você imagina que serão as consequências do que tem feito hoje no seu futuro?
  • Onde você quer estar daqui a cinco anos? E daqui a dez?
  • O que você tem feito pela resposta da pergunta anterior?

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