Deixem as pessoas viverem aquilo que elas acreditam.

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Carla é uma  colega de faculdade, que tem vinte anos de idade e está noiva, e hoje, após uma prova, veio fazer um desabafo comigo. Ela disse que já não suporta mais as pessoas virem dar “pitaco” em sua vida.



Segundo ela, as pessoas acham um absurdo ela querer casar-se tão novinha, antes de ter concluído a faculdade e sem ter entrado para o mercado de trabalho.

Perguntas como “você está grávida”? “Por que você vai fazer isso agora”?

E afirmações do tipo “você vai se arrepender”, tornaram-se rotineiras. A linda jovem, futura psicóloga, relata que sente uma interferência insuportável que, às vezes,  a faz sentir-se inadequada, embora esteja vivendo um amor com total  reciprocidade e cheio de planos. Eu acredito que o que a Carla esteja sofrendo sejam interferências de pessoas que tiveram seus sonhos frustrados.

E não seria justo imaginar que todas essas pessoas estejam agindo de má fé, seguramente, em meio a elas, existem muitas que estão, de fato, preocupadas com a felicidade dela, como também é possível que exista muita inveja.

O que ficou claro para mim nesse contexto é que as pessoas precisam tomar muito cuidado, ainda que bem intencionadas, ao aconselhar as outras que estejam vivendo um sonho. Não é justo usar aquilo que não funcionou conosco como norteador para as escolhas dos outros. O fato de uma mulher ter tido uma experiência frustrante com o casamento, não a habilita a ser uma  conselheira para “alertar” outra que esteja deslumbrada com a ideia de constituir uma família.


É fundamental que tenhamos o discernimento suficiente para não sairmos  generalizando tudo pela frente. Onde está escrito que casar muito jovem é um erro? Existe uma idade ideal para o casamento? Quem disse que não é possível uma jovem se casar, continuar estudando e ingressar numa carreira profissional gratificante? Eu creio que é plenamente possível, sim, principalmente se ela casar-se com um homem que a ame de verdade e que torça pelo crescimento dela.

Ao que parece, a sociedade quer que vivamos de forma programada, como se nossa vida tivesse que obedecer a uma escala cronológica, mais ou menos assim: aos 17 anos, conclui o ensino médio, aos 22 anos, conclui a faculdade, aos 25, inicia uma carreira profissional, depois dos 35, casa…e por aí vai.

Isso é muito chato, as pessoas têm todo o direito de viver aquilo que acreditam. Ninguém tem que viver condicionada às normas sociais “politicamente corretas”, só para serem vistas como bem-sucedidas.  

E o que percebemos, claramente, é que muitas pessoas estão aconselhando outras a desistirem daquilo que sonham tendo as próprias frustrações como base. Nunca é sensato generalizar, toda generalização é burra e reducionista. Outra coisa: antes de ofertarmos os nossos conselhos a alguém, precisamos ter o “desconfiômetro” de pensar se a pessoa nos pediu ou está interessada.


Em se tratando de casamento, a felicidade é plenamente possível nos mais variados  formatos: nos casamentos nos quais a mulher optou por ser dona de casa e mãe, nos casamentos onde a mulher é mãe, esposa e profissional e nos casamentos onde a mulher optou por não ser mãe. Não existe fórmula para nada nessa vida, o que conta é sentir-se confortável diante daquilo que escolheu viver.

Nessa vida, não temos garantia de nada, por isso, nada mais justo que  obedecermos àquilo que faz nossa alma sorrir.

Sobre a linda futura psicóloga, ela é muita inteligente e enxerga longe. Ela me disse que aprendeu a responder aos intrometidos com a seguinte frase: “eu quero viver tudo isso junto e acredito que vai dar certo: casamento, faculdade, trabalho e maternidade, a escolha é minha e do meu futuro marido”. Demais, né? Carlinha, eu te desejo toda a felicidade do mundo!

Gratidão, queridos(as) leitores… até a próxima!

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Direitos autorais da imagem de capa: dolgachov / 123RF Imagens

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* Matéria atualizada em 17/06/2017 às 13:40






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