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Delegado Da Cunha, famoso por canal no YouTube, é indiciado sob a suspeita de crime de peculato

Para os delegados responsáveis pela investigação, Da Cunha utilizou a estrutura da Polícia Civil para gravar vídeos de operações oficiais que foram exibidos nas redes sociais particulares dele, como no YouTube.



Ele conseguiu alavancar mais de 3,6 milhões de inscritos em seu canal.

A Folha apurou que os investigadores consideram ter conseguido comprovar, com documentos e uma série depoimentos (incluindo de policiais civis), que Da Cunha obteve vantagens pessoais e econômicas com esses vídeos exibidos nas redes sociais –o que configuraria o crime. Ele já foi afastado de suas funções.

Procurado pela reportagem, Da Cunha rebateu as acusações.


“Trata-se de mais uma acusação infundada e sem qualquer cabimento. Estou sendo acusado por conta da monetização do meu canal do YouTube”, disse por email. Na mensagem, ele questiona o que isso tem a ver com dinheiro público e responde: “Nada, absolutamente nada”.

“Mais uma vez o veículo de comunicação está utilizando informações sigilosas (que sequer foram apuradas ainda) com o único viés de denegrir a minha imagem”, escreve o delegado.

Da Cunha também é alvo de inquérito do Ministério Público, que apura possível enriquecimento ilícito. Para os promotores, o uso da estrutura estatal para proveito pessoal pode configurar improbidade administrativa. O delegado nega enriquecimento ilícito e já disse que até o IPVA está atrasado.

Com o indiciamento na Polícia Civil, Da Cunha passa a ser considerado formalmente suspeito de um crime. O relatório final deve ser encaminhado para o Ministério Público, que pode pedir mais investigações, denunciar o policial à Justiça ou pedir o arquivamento, se considerar que não há crime.


A reportagem apurou que o delegado tentou na Justiça evitar o indiciamento, mas o pedido foi negado em caráter liminar.

Entre os elementos que pesaram a favor do indiciamento estão os depoimentos de colegas de profissão, como delegados e investigadores, que relataram supostas irregularidades praticadas por Da Cunha para conseguir esses vídeos, como simular ou inventar prisões.

Conforme a Folha revelou, o policial chegou a devolver uma vítima de sequestro ao cativeiro, junto ao sequestrador, para que a ação fosse filmada, como se tivesse sido Da Cunha o responsável pela prisão do criminoso.

Da Cunha admite ter feito isso, mas alega que buscava ajudar na produção de provas.


Ainda segundo depoimentos de policiais em poder do Ministério Público, Da Cunha também teria inventado a prisão de um chefe do PCC, chamado Jagunço do Savoy, que teria a ordem para matar o delegado-geral, Ruy Ferraz Fontes.

Policiais civis afirmaram que ele prendeu um suspeito supostamente apelidado de Jagunço, mas sem nenhuma ligação com o criminoso do PCC.

Vídeos com a suposta prisão desse criminoso renderam a Da Cunha mais de 30 milhões de visualizações nas redes sociais.

Em live recente, Da Cunha disse ter certeza que prendeu o criminoso do PCC.


Ainda não se sabe quanto dinheiro o delegado conseguiu desde o início de 2020, quando passou a ser importante na internet. Considera-se, porém, que o salário na polícia seria insuficiente para manter o padrão de vida dele, com o pagamento de aluguéis de imóveis de alto padrão, plano de saúde, funcionários e outras despesas.

Nas redes sociais, Da Cunha sustenta ser pobre e diz que nunca monetizou seu canal do YouTube, a não ser após o afastamento dele. Também disse que, após reportagem da Folha, em fevereiro, perdeu o bico que fazia dando palestras para uma empresa.

Tratava-se de empresa de segurança que era dele mesmo, em sociedade com outra pessoa. Após a reportagem, ele deixou formalmente a sociedade.


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