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Demorei a entender que eu preciso mais de mim do que qualquer outra coisa!

Às vezes, eu paro, penso e repenso tudo aquilo que abri mão só pra tentar fazer alguém feliz.

Então, vi que pessoas partem, que nunca estão satisfeitas com nada, que querem sempre desordenar o coração da gente, querem tirar o que podem só pra depois sentirem o gosto de que nada deixaram além de um grande vazio.



Hoje estou em primeiro plano, estou muito mais à frente do que qualquer sentimento barato, do que qualquer superexposição.

Demorei a entender que é melhor eu me ajeitar com a consciência, com a certeza de que muita coisa já foi tarde, e que eu gosto de amanhecer sem qualquer sensação de estranheza no peito.

Tenho apreço por aquilo que não rouba minha identidade, não zomba do que é verdadeiro.


Perdi muito tempo tentando me achar onde não havia lugar, onde não havia nada mais do que palavras e atitudes sem sentido de gente que nunca conseguiu ser.

A vida é curta demais para eu me prolongar em ausências. Fecho a porta, viro a página, mudo o disco. Vou atrás do que é referência de vida. Vou atrás de mim mesma.

Nem sempre é fácil libertar-se de certos vícios de amor. Mas sei que não nasci para ser qualquer coisa, para ser adorno, para ser acessório de alguém.

O que empaca não faz a vida andar, o coração movimentar, a alma aquecer.


Demorei até colocar um freio naquilo que já estava se tornando abusivo.

Aí eu vi e revi meus valores revi aquele amontoado de coisas que eram para ontem e não decidi. Demorei para pegar as rédeas, demorei pra dar o tom do que eu realmente queria no momento.

E vi que ainda dava tempo, que eu não tinha certeza de nada, mas que minha impulsividade ajudar-me-ia a me libertar daquilo que travava e que não me deixava crescer.

Demorei, mas fui retornando aos poucos, fui trazendo minha bagagem de volta, fui filtrando aquelas emoções que já não serviam mais.

Eram roupas velhas e esfarrapadas, coisas incertas que eu deixei acumular no fundo do armário, achando que talvez, um dia, novamente as pudesse usar.

Que nada. Elas foram, assim como eu fui.

Agora estou retornando à minha casa, estou retornando ao meu próprio convívio.
Voltei daquela sensação de dormência e impotência. Despertei, arrumei-me, passei um batom, ajeitei o semblante e pedi por felicidade, paz e luz.

Em silêncio, como quem sabe que Deus escuta todos os meus pensamentos, agradeci.

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Direitos autorais da imagem de capa: subbotina / 123RF Imagens

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