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Dentro de cada um há uma voz que grita: “seja você!”, mas tentamos ser outra pessoa!

Quer ser feliz? Reconecte-se com a sua criança interior feliz e saudável!



Quando olhamos para um adulto com uma visão muito negativa de si mesmo, que não consegue enxergar e expressar seus talentos e se sente deprimido e desvitalizado, percebemos muitas vezes que essa é uma longa história que começou na infância, com uma criança que aprendeu a bloquear facetas de sua personalidade e a mascarar emoções que não podiam ser expressas, acreditando que precisava criar um personagem para pertencer, ser aceito e receber amor.

Esses dias assisti, mais uma vez, ao filme da Disney, “Duas vidas”, o qual, particularmente, acho brilhante, tocante e comovente. Muito resumidamente, o filme narra a história de reconexão de um homem de negócios (Russ Durits, representado por Bruce Willys) muito bem-sucedido financeiramente, porém bastante infeliz com o seu passado, sua história e sua criança interior.

No filme, o menino de 8 anos de idade retorna ao presente para auxiliar sua versão adulta a se reconectar com os seus sonhos de infância e a manifestar uma vida mais feliz e alinhada aos seus reais desejos.


Será que você se lembra dos seus sonhos de infância?

Quando crianças, simplesmente somos, sonhamos livremente, não racionalizamos as nossas ideias, acreditamos no tamanho dos nossos sonhos. Infelizmente, com o passar do tempo, muitas vezes, vamos nos desacreditando, desconectando de nossos sonhos e colocando barreiras no que antes parecia muito fácil e possível.

Em nossas brincadeiras, nossos sonhos e desejos infantis estão guardadas preciosidades que, se conseguirmos resgatar, podem nos dar valiosas pistas do que queremos ser quando crescer.

É na nossa criança feliz e saudável que estão nossos sonhos mais lindos e nossa receita de felicidade. Essa criança livre, leve, espontânea e cheia de vitalidade é que deve ser redescoberta dentro de nós.


No filme, o personagem de Bruce Willys trata sua criança com desprezo, vergonha. É muito comum um adulto infeliz, desvitalizado, trazer dentro de si uma criança muito ferida e que muitas vezes continua sendo maltratada por nós mesmos, dia após dia.

Você já reparou em uma criança saudável brincando?

Observe uma criança saudável, ela simplesmente brilha. É espontânea, brinca, dá risada, demonstra seus sentimentos, tem a capacidade de se maravilhar com o presente, fica entretida por horas com as coisas mais simples.

As crianças, de um modo geral, são exibidas e gostam de olhar e serem vistas. Brincam, cantam, pulam, correm.

Então por que será que, muitas dessas mesmas crianças criativas e cheias de vida se tornam adultos tristes, apagados e sem vida, perdendo completamente seu brilho e alegria de viver?

Como a educação interfere no desenvolvimento de nossos potenciais?

O processo de educação de uma criança é vital para que ela preserve ou esconda atributos essenciais de sua personalidade.

Uma criação amorosa, respeitosa, em que os limites sejam claros e bem definidos, e em que haja espaço para receber e valorizar as características mais genuínas e singulares que se apresentam, cria um ambiente seguro para uma criança florescer.

Quando os pais podem dar um bom olhar para as características de seus filhos, exaltando a sua luz e auxiliando-o a conviver e aprimorar as suas sombras, dando um bom lugar às suas características de personalidade, gostos e preferências, exatamente como eles são, a mágica acontece.

Entretanto, nem todos os pais estão preparados para lidar com a difícil tarefa de educar um filho, muitas vezes, porque também tiveram pais que não estavam preparados, e essa situação pode se repetir por inúmeras gerações.

Os pais sempre nos dão tudo aquilo que têm mas, quando também eles se desconectaram do seu próprio brilho e da sua alegria de viver, ficarão impossibilitados de nos deixar esse legado.

É muito comum essa desconexão com o próprio brilho e a própria amorosidade acontecerem por várias gerações, até que alguém surja na família e demonstre o desejo de fazer diferente. Já pensou que essa pessoa pode ser você?

Adultos difíceis escondem crianças feridas dentro de si

No filme, há uma cena bastante marcante que mostra o momento em que o menino adquire um tic nervoso nos olhos, por ser impedido duramente de chorar em uma situação em que seu pai estava nitidamente nervoso e fragilizado, sem a sensibilidade necessária para lidar com aquela criança.

Naquele momento, esse menino, antes tão sensível, contrata consigo mesmo nunca mais chorar, e acaba se tornando um adulto rígido, intolerante e desconectado de seus sentimentos, desejos e anseios.

Dentro de cada um há uma voz que grita: “Seja você!”, mas estamos tentando ser outra pessoa.

Com o tempo, passamos a acreditar que o que vem de nós não é suficientemente bom, que nossos sentimentos são errados e desenvolvemos a crença de que merecemos muito pouco e de tanto renegar as próprias emoções, perdemos nossa bússola e também nossas referências internas na hora de tomar uma decisão, passando a consultar o mundo e o outro para saber os rumos que devemos tomar.

Quando estamos nos abafando para pertencer e nos adequar a uma normalidade ilusória e padronizada, a nossa alma clama para que aquilo que há de mais único e singular em nós se apresente.

Como fazer o caminho de volta para casa e as pazes com a nossa criança interior?

Somente quando formos autênticos poderemos oferecer ao outro e ao mundo nossa contribuição mais genuína e nos sentir nutridos em nossas escolhas, relações, parcerias e projetos.

O que o diferencia da multidão é a verdade que você imprime em sua vida, em seu trabalho, nas suas relações e atitudes. Sua assinatura é a sua marca registrada.

Resgatar a nossa criança interior, dar atenção ao nosso mundo interno podem ser o início de um lindo caminho.

É preciso dar um olhar de acolhimento e deixar emergir conteúdos que ficaram escondidos dentro de nós, para que possam ser olhados, acolhidos, expressos e curados.

O personagem do filme vive um grande percurso de reconexão, acolhimento e cuidado com essa criança. E, de acordo com a minha interpretação, acredito que nos deixa a mensagem de que não podemos mudar o nosso passado, mas podemos ressignificar e dar um novo olhar a antigas dores.

Trate-se como seu bem mais precioso, relembre o que gostava de fazer quando criança e agora como adulto, seja um bom pai e uma boa mãe para essa criança, deixe-a continuar brincando e se divertindo!

Mostre para si mesmo que, apesar dos percalços, a vida também pode ser alegre, leve e divertida!

 

Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123RF Imagens.

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* Matéria atualizada em 22/10/2019 às 3:22






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