Família

Depois da morte do pai por leucemia, filha encontra lista de planos em seu celular: “Aproveitem seus pais”

Um ano depois que seu pai morreu, no dia em que faria aniversário, Júlia abriu um aplicativo que nunca havia aberto e se emocionou com o que encontrou.



Na correria do dia a dia, acabamos nos esquecendo de ser gentis com nossos familiares e amigos próximos, além de agradecer-lhes pela convivência. Sempre achamos que vamos ter tempo de sobra, no futuro, para tecer palavras carinhosas, e deixamos de fazer isso no presente.

Aquelas palavras que você disse à sua companheira ou ao seu pai, antes de sair de casa, podem ser as últimas, deixando apenas remorso e vontade de voltar no tempo para preencher os silêncios.

Depois que uma pessoa parte, precisamos aprender a lidar com sua ausência. Nenhuma pessoa é substituível, e mesmo que você tenha crescido acreditando o contrário, saiba que é impossível ocupar o lugar de um ente querido ou uma pessoa próxima, seja com outro indivíduo, seja com atividades e qualquer coisa que mantenha a cabeça ocupada.


A jovem Júlia, de 17 anos, perdeu seu pai em dezembro de 2019, enquanto lutava contra a leucemia. Segundo reportagem da BBC, Ramon do Vale Vicente passou dois anos enfrentando o câncer, mas perdeu a batalha perto do Natal, aos 53 anos. Um ano depois, no dia em que seu pai completaria 54 anos, a filha reuniu objetos que faziam lembrar do pai, e foi quando abriu o aplicativo de notas, que nunca havia aberto, e se deparou com algo inesperado.

No celular havia uma lista que Ramon escreveu ainda no hospital, de todas as coisas que faria assim que saísse de lá. Júlia se emocionou com o conteúdo, eram 26 itens e um espaço em branco, que ele nunca chegou a completar.

Dentre os planos, o pai queria ver a filha se casar, cuidar dos netos, construir uma casa fora da área urbana, fazer novas refeições para a filha provar, tatuar-se com ela, viajar até Fátima, entre outros.

Direitos autorais: reprodução/redes sociais.


Júlia se emocionou tanto com o que encontrou que compartilhou a lista em seu Twitter, recomendando que as pessoas aproveitassem os pais e familiares enquanto ainda tinham a oportunidade. Na legenda, a jovem escreveu ainda que irá realizar todos os itens, e tem certeza de que ele vai acompanhá-la em cada um desses momentos especiais.

A filha acredita que esse foi um sinal para aproveitarmos as pessoas enquanto elas ainda estão ao nosso lado, principalmente para os adolescentes, que têm o costume de brigar com os pais.

A ex-mulher de Ramon, Fernanda, de 47 anos, ainda incentiva as pessoas a se tornarem doadoras de medula óssea e de sangue, algo que poderia ter salvado o pai de sua filha, caso houvesse algum doador compatível.

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A relação entre pai e filha sempre foi excepcional, e Júlia brinca dizendo que a mãe “era a general” e o pai a deixava comer todas as comidas que quisesse, após a refeição principal. Em 2018, Ramon começou a sentir fraquezas e sentia que havia algo errado, em uma quadrilha da escola da filha, Fernanda conta que ele começou a passar mal ali mesmo.

Uma semana depois, Ramon entrou em contato com Fernanda e contou que estava com pedras nos rins, durante a internação, os médicos descobriram que havia uma alteração no número de leucócitos.

Cerca de 15 dias depois, o diagnóstico de leucemia chegou. Fernanda conta que, durante a primeira internação do ex, ela permaneceu o tempo todo ao seu lado, foram 30 dias em que o casal teve tempo para se reconciliar.

Foi um ano e oito sessões de quimioterapia até Ramon voltar para casa; a médica disse que a medula havia voltado a funcionar normalmente, que a quimioterapia havia sido um sucesso e ele estava finalmente curado. Mas apenas quatro meses depois da alta, ele voltou a passar mal, a leucemia voltou e foram mais quatro meses de internação.


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Nesse tempo, a família fez campanha para doação de medula óssea, coletou em parentes próximos para descobrir se algum era compatível, e a equipe descobriu que a filha tinha 50% de compatibilidade com o pai. Fernanda explica que estava tudo preparado para que ele recebesse o transplante em uma técnica inovadora, precisava apenas esperar a última sessão de quimio.

Ramon não aguentou e em dezembro de 2019 faleceu. Júlia conta que, no hospital, o pai contava todos os seus planos e tudo o que queria fazer assim que saísse dali. A filha conta que tudo o que passou acabou fazendo-a refletir sobre o sentido da vida e o que faz durante seus dias. Para ela, vale a pena lutar e fazer a diferença para as pessoas.


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